Editor do Varadouro media debate sobre Justiça Climática e legado da COP30

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Editor do Varadouro media debate sobre Justiça Climática e legado da COP30

Durante Conferência de Direitos Humanos do Fundo Brasil, lideranças indígenas e quilombolas, comunicadoras e pesquisadoras discutiram os limites da participação popular nas decisões globais sobre o clima

Fábio Pontes, Andréia Coutinho, Maryellen Crisóstomo, Sineia Wapixana e Maureen Santos m debate sobre Justiça Climática e a participação das comunidades tradicionais nos debates sobre o enfrentamento à crise do clima (Foto: Rebeca Figueiredo)



dos varadouros de Rio Branco

A participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais nas decisões sobre a crise climática esteve no centro de uma das mesas da Conferência de Direitos Humanos do Fundo Brasil, realizada na última quarta-feira (9), em São Paulo O debate foi mediado pelo jornalista Fábio Pontes, editor-executivo do Jornal Varadouro, e reuniu Sineia Wapichana, enviada especial da COP para os povos indígenas; Maryellen Crisóstomo, jornalista quilombola do território Baião, no Tocantins; Andréia Coutinho, diretora-executiva do Centro Brasileiro de Justiça Climática; e Maureen Santos, cientista política e coordenadora do Grupo Nacional de Assessoria da Fase.

As participantes discutiram os avanços e os limites da presença dos povos e movimentos sociais nas Conferências das Partes das Nações Unidas, além dos caminhos necessários para transformar participação em poder efetivo de decisão.

Representante do povo Wapichana, de Roraima, Sineia lembrou que a presença indígena nesses espaços não foi concedida pelos governos, mas conquistada ao longo de décadas de mobilização. Segundo ela, a COP30, realizada em Belém em 2025, ampliou a participação da sociedade civil e reuniu mais de 600 lideranças indígenas.

A presença física, entretanto, não elimina as barreiras. Para Maryellen Crisóstomo, a linguagem técnica e o predomínio do inglês nas negociações também funcionam como mecanismos de exclusão, dificultando a compreensão e a participação de representantes dos territórios.

“Os termos técnicos também são uma forma de exclusão”, afirmou. A jornalista ressaltou ainda que as reivindicações precisam alcançar os documentos oficiais: “Só vai se transformar em compromisso dos Estados o que está no texto”.


Comunicação também é poder

Para ela, aproximar a agenda climática da população exige linguagem acessível, circulação de informações nos territórios e uma produção jornalística conectada às realidades locais.

“Comunicação é poder, jornalismo é poder, linguagem é poder”, destacou.

“Não existe Justiça Climática enquanto a Amazônia continuar sendo vista apenas como uma floresta distante e não como um território onde milhões de pessoas vivem os efeitos mais severos da crise do clima”, ressalta o editor do Varadouro, Fabio Pontes, que em quase duas décadas acompanha in loco os impactos da crise climática em seu território.

Não se pode mais falar sobre a Amazônia de cima para baixo. A floresta precisa ser debatida aqui embaixo”, completa ele.

Maureen Santos reforçou que a mobilização pela Justiça Climática não ocorre apenas nos espaços oficiais das conferências. Ela citou a Cúpula dos Povos como território de resistência, articulação e construção de alternativas diante dos limites das negociações conduzidas pelos governos.

Entre a invisibilidade e o racismo ambiental, populações mais pobres da Amazônia acreana são afetadas, com mais intensidade e frequência, pelos fenômenos climáticos extremos (Fotos: Paulo Henrique Costa e Alexandre Cruz Noronha)



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A Cúpula dos Povos realizada em Belém foi construída ao longo de dois anos e meio. O processo começou com cerca de 40 organizações e chegou a reunir mais de 1.500 movimentos indígenas, quilombolas, negros, feministas, sindicais e redes internacionais.

Um dos principais legados, segundo Maureen, foi incorporar a crise climática à agenda de movimentos que até então não tratavam o tema como prioridade.

Ao final da mesa, participantes e mediador convergiram sobre um ponto: ocupar as COPs é importante, mas não suficiente. A construção da Justiça Climática depende da organização permanente nos territórios, do acesso à informação, da produção de conhecimento, do financiamento das organizações populares e da pressão sobre os governos — antes, durante e depois de cada conferência.




Texto original publicado pelo Fundo Brasil










Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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