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Após boicote a comerciantes que apoiaram Lula, MPF pede investigação no Acre

Ministério Público Federal encaminhou representação ao MPAC e propôs atuação conjunta com a Polícia Civil para identificar responsáveis por listas divulgadas em Cruzeiro do Sul

Mesmo enfrentando ameaças e pressões numa em reduto bolsonarista, jovens de Cruzeiro do Sul foram às ruas manifestar apoio à reeleição de Lula (Foto: Paulo Henrique Costa)



dos varadouros de Rio Branco

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao Ministério Público do Acre (MPAC) uma representação solicitando providências contra a divulgação de listas que incentivam o boicote a comerciantes e profissionais identificados como apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá. A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 29, um dia após a repercussão das denúncias de intimidação política no município.

Assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão Lucas Costa Almeida Dias, a representação propõe uma atuação coordenada entre o MPAC e a Polícia Civil para identificar os autores e responsáveis pela disseminação das listas, levantar possíveis ocorrências e preservar registros digitais nas plataformas de comunicação.



ENTENDA:
Após dar 71% dos votos a Flávio, Cruzeiro do Sul registra boicote a comerciantes que apoiaram Lula

O MPF também recomenda que seja avaliada a abertura de procedimento para apurar possíveis danos coletivos, prevenir novas práticas discriminatórias e buscar eventual reparação por danos morais coletivos.

Segundo o órgão, a divulgação organizada de nomes de comerciantes e profissionais com o objetivo de prejudicá-los economicamente por suas posições políticas pode ultrapassar os limites da liberdade de expressão e configurar práticas discriminatórias e intimidatórias.

A depender das circunstâncias, os responsáveis poderão responder por crimes como ameaça, perseguição, injúria, difamação e incitação ao crime, além de eventual responsabilização civil por prejuízos causados às vítimas.

O MPF também orienta que os comerciantes atingidos registrem boletins de ocorrência e preservem mensagens, capturas de tela e outros documentos que possam auxiliar na identificação dos responsáveis.

A representação foi encaminhada ao Ministério Público estadual porque, segundo o MPF, os fatos relatados não se enquadram, a princípio, na competência da Justiça Federal. A representação do MPF abre caminho para a apuração das denúncias pelas autoridades estaduais. Até o momento, o encaminhamento não significa a abertura automática de investigação criminal nem a identificação dos responsáveis pelo boicote.









Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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