PELA DEMOCRACIA

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Entidades religiosas defendem projeto de Lula com manifesto “Cinco dias que valem por cinco anos”

Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre (IEFPAC) destaca a importância do segundo turno presidencial para o futuro da democracia, dos direitos sociais, da soberania nacional e da liberdade religiosa e anuncia mobilização em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

A Proicssão de Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul; crescimento de ataques à fé católica por extremistas de direita ligados à campanha cde Flávio Bolsonaro faz entidade declarar apoio a Lula (Foto: Paulo Henrique Costa/Varadouro)


dos varadouros de Rio Branco

O Brasil vive um momento decisivo de sua história política. É com essa avaliação que a Direção Executiva do Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre (IEFP/AC) lançou, na terça-feira, 20, seu posicionamento diante do segundo turno das eleições presidenciais, sintetizado na frase “Cinco dias que valem por 50 anos”.

Para a entidade, o resultado das urnas poderá definir os rumos do país nas próximas décadas, com impactos diretos sobre as políticas sociais, a democracia, a soberania nacional e a convivência entre diferentes tradições religiosas.

Em seu posicionamento, o Instituto aponta dois projetos políticos em disputa. De um lado, identifica a possibilidade de ampliar conquistas sociais e fortalecer um modelo de desenvolvimento baseado na geração de empregos, na distribuição de renda, na defesa dos recursos naturais, na preservação ambiental e no respeito aos princípios constitucionais.

De outro, manifesta preocupação com propostas que, em sua avaliação, podem comprometer direitos sociais, instituições democráticas e a independência do Brasil.

Entre os pontos de preocupação destacados pelo IEFP estão as propostas de revisão constitucional e de prorrogação do mandato presidencial, a entrega de recursos estratégicos nacionais a interesses estrangeiros, a privatização da Petrobras e o enfraquecimento de políticas públicas fundamentais, como o Sistema Único de Saúde (SUS), a educação pública, a Previdência Social e os programas de assistência social, a exemplo do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A entidade também critica as restrições orçamentárias que, segundo o documento, podem comprometer a manutenção dessas políticas. Para o Instituto, medidas de austeridade que reduzam a proteção social tendem a atingir principalmente a população mais pobre e vulnerável.

Nesse contexto, a experiência argentina é citada como um alerta para os riscos sociais associados à retirada de direitos e ao aprofundamento das desigualdades.

A expressão “Cinco dias que valem por 50 anos” resume, assim, a avaliação da entidade de que o resultado eleitoral terá repercussões que ultrapassam o período imediato da disputa política.

Para o Instituto, está em jogo a possibilidade de avançar na construção de um país mais justo e democrático ou enfrentar
retrocessos sociais e políticos.

Liberdade religiosa e Estado laico


A defesa da liberdade religiosa e da laicidade do Estado também ocupa lugar central no posicionamento do Instituto. A organização alerta para os riscos da expansão de grupos religiosos fundamentalistas e sectários nos espaços de poder, diante da possibilidade de agravamento da intolerância contra tradições religiosas de matrizes africanas, indígenas e espíritas.

O documento ressalta que a intolerância religiosa também pode atingir símbolos e manifestações da fé católica. Como exemplo, menciona ataques recentes à imagem de Nossa Senhora Aparecida e um incêndio em uma igreja no município de Treze de Maio, em Santa Catarina, ocorrido no dia 11, conforme relatado no texto da entidade.


Presidente Lula da Silva durante missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, realizada na Capela do Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert)


Apoio à candidatura de Lula

Ao analisar a disputa presidencial, o Instituto identifica no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a representação de um projeto de continuidade e ampliação das conquistas sociais. Em contraposição, associa a candidatura de Flávio Bolsonaro a um projeto político que representa riscos aos direitos conquistados, à democracia e à soberania nacional.

Diante desse cenário, a entidade observa que o momento exige posicionamento. O documento rejeita a neutralidade diante do que considera uma escolha histórica para o país e recorre à figura bíblica de Pôncio Pilatos para expressar a responsabilidade política e moral de assumir uma posição diante das consequências da decisão eleitoral.



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“É preciso definir um lado!”, afirma o texto, ao destacar que o compromisso do Instituto está com os segmentos historicamente excluídos, com a população pobre e marginalizada, com a democracia e com a independência nacional.

A entidade ressalta que essa posição não decorre de uma conveniência eleitoral. Fundado em 2005, o Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre afirma que sua atuação está historicamente vinculada à defesa dos direitos humanos, da justiça social, da diversidade religiosa e da participação democrática. Esses compromissos, segundo a organização, foram formalmente consolidados em sua Carta de Princípios, aprovada em 2019.

Com base nesses princípios, o IEFP anuncia que empenhará esforços para contribuir com a vitória do projeto nacional representado por Lula. O Instituto defende que a mobilização nos dias que antecedem a votação é fundamental para ampliar o debate público sobre os rumos do Brasil e as consequências sociais e políticas da escolha nas urnas.



Neutralidade no Acre


Em relação às eleições de segundo turno no Acre, o Instituto informa que não apoiará nem fará oposição a nenhum dos dois candidatos locais, que está entre a atual governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos).

A decisão, conforme o documento, considera que ambos declararam apoio a Flávio Bolsonaro, cuja orientação política é avaliada pela entidade como contrária aos princípios que orientam sua atuação.

Ao não se posicionar sobre a disputa estadual, a entidade pretende concentrar seus esforços no debate nacional, que considera determinante para o futuro do conjunto da população brasileira.














Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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