
dos varadouros de Rio Branco
O Brasil vive um momento decisivo de sua história política. É com essa avaliação que a Direção Executiva do Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre (IEFP/AC) lançou, na terça-feira, 20, seu posicionamento diante do segundo turno das eleições presidenciais, sintetizado na frase “Cinco dias que valem por 50 anos”.
Para a entidade, o resultado das urnas poderá definir os rumos do país nas próximas décadas, com impactos diretos sobre as políticas sociais, a democracia, a soberania nacional e a convivência entre diferentes tradições religiosas.
Em seu posicionamento, o Instituto aponta dois projetos políticos em disputa. De um lado, identifica a possibilidade de ampliar conquistas sociais e fortalecer um modelo de desenvolvimento baseado na geração de empregos, na distribuição de renda, na defesa dos recursos naturais, na preservação ambiental e no respeito aos princípios constitucionais.
De outro, manifesta preocupação com propostas que, em sua avaliação, podem comprometer direitos sociais, instituições democráticas e a independência do Brasil.
Entre os pontos de preocupação destacados pelo IEFP estão as propostas de revisão constitucional e de prorrogação do mandato presidencial, a entrega de recursos estratégicos nacionais a interesses estrangeiros, a privatização da Petrobras e o enfraquecimento de políticas públicas fundamentais, como o Sistema Único de Saúde (SUS), a educação pública, a Previdência Social e os programas de assistência social, a exemplo do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A entidade também critica as restrições orçamentárias que, segundo o documento, podem comprometer a manutenção dessas políticas. Para o Instituto, medidas de austeridade que reduzam a proteção social tendem a atingir principalmente a população mais pobre e vulnerável.
Nesse contexto, a experiência argentina é citada como um alerta para os riscos sociais associados à retirada de direitos e ao aprofundamento das desigualdades.
A expressão “Cinco dias que valem por 50 anos” resume, assim, a avaliação da entidade de que o resultado eleitoral terá repercussões que ultrapassam o período imediato da disputa política.
Para o Instituto, está em jogo a possibilidade de avançar na construção de um país mais justo e democrático ou enfrentar
retrocessos sociais e políticos.
Liberdade religiosa e Estado laico
A defesa da liberdade religiosa e da laicidade do Estado também ocupa lugar central no posicionamento do Instituto. A organização alerta para os riscos da expansão de grupos religiosos fundamentalistas e sectários nos espaços de poder, diante da possibilidade de agravamento da intolerância contra tradições religiosas de matrizes africanas, indígenas e espíritas.
O documento ressalta que a intolerância religiosa também pode atingir símbolos e manifestações da fé católica. Como exemplo, menciona ataques recentes à imagem de Nossa Senhora Aparecida e um incêndio em uma igreja no município de Treze de Maio, em Santa Catarina, ocorrido no dia 11, conforme relatado no texto da entidade.
Para o IEFP, a defesa da liberdade de crença exige o respeito à diversidade religiosa e a rejeição de qualquer forma de perseguição ou discriminação. A organização considera que o Estado laico é uma garantia fundamental para que todas as pessoas possam professar sua fé, ou não professar nenhuma, sem sofrer constrangimentos ou violência..

Apoio à candidatura de Lula
Ao analisar a disputa presidencial, o Instituto identifica no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a representação de um projeto de continuidade e ampliação das conquistas sociais. Em contraposição, associa a candidatura de Flávio Bolsonaro a um projeto político que representa riscos aos direitos conquistados, à democracia e à soberania nacional.
Diante desse cenário, a entidade observa que o momento exige posicionamento. O documento rejeita a neutralidade diante do que considera uma escolha histórica para o país e recorre à figura bíblica de Pôncio Pilatos para expressar a responsabilidade política e moral de assumir uma posição diante das consequências da decisão eleitoral.
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“É preciso definir um lado!”, afirma o texto, ao destacar que o compromisso do Instituto está com os segmentos historicamente excluídos, com a população pobre e marginalizada, com a democracia e com a independência nacional.
A entidade ressalta que essa posição não decorre de uma conveniência eleitoral. Fundado em 2005, o Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre afirma que sua atuação está historicamente vinculada à defesa dos direitos humanos, da justiça social, da diversidade religiosa e da participação democrática. Esses compromissos, segundo a organização, foram formalmente consolidados em sua Carta de Princípios, aprovada em 2019.
Com base nesses princípios, o IEFP anuncia que empenhará esforços para contribuir com a vitória do projeto nacional representado por Lula. O Instituto defende que a mobilização nos dias que antecedem a votação é fundamental para ampliar o debate público sobre os rumos do Brasil e as consequências sociais e políticas da escolha nas urnas.
Neutralidade no Acre
Em relação às eleições de segundo turno no Acre, o Instituto informa que não apoiará nem fará oposição a nenhum dos dois candidatos locais, que está entre a atual governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos).
A decisão, conforme o documento, considera que ambos declararam apoio a Flávio Bolsonaro, cuja orientação política é avaliada pela entidade como contrária aos princípios que orientam sua atuação.
Ao não se posicionar sobre a disputa estadual, a entidade pretende concentrar seus esforços no debate nacional, que considera determinante para o futuro do conjunto da população brasileira.