
dos varadouros de Rio Branco
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve reiniciar nesta quarta-feira, 15 de abril, o julgamento da Ação Penal 1.076, que tem como réu o ex-governador do Acre Gladson de Lima Cameli (PP). O caso será analisado pela Corte Especial, colegiado responsável por julgar autoridades com foro privilegiado.
O processo, que investiga crimes como corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, teve início em 17 de dezembro de 2025, mas foi interrompido após pedido de vista do ministro revisor, João Otávio de Noronha.
Na ocasião, a ministra-relatora, Nancy Andrighi, votou pela condenação do governador, incluindo pena de prisão e perda do cargo, o que elevou a expectativa em torno da retomada do julgamento.
No último dia 2 de abril, Gladson Cameli abandonou a função de governador do Acre para concorrer ao cargo de Senador nas eleições de outubro, dando fim a um período de sete anos e três meses de um governo marcado por denúncias de corrupção e ineficiência administrativa.
A ação penal é resultado de investigações da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2021, que apura um esquema de desvio de recursos públicos. Segundo a acusação, os prejuízos aos cofres públicos superam os R$ 800 milhões de reais, com envolvimento de empresas e agentes políticos.
A retomada do julgamento ocorre em um momento sensível do cenário político acreano, com possíveis impactos diretos no futuro eleitoral de Cameli.
Caso a maioria dos ministros siga o voto da relatora, Gladson Cameli será enquadrado na lei da ficha-limpa, o que o tornará inelegível – além da possibilidade de prisão. Mesmo com uma condenação, ele ainda poderá recorrer junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em todas as entrevistas que fala sobre o assunto, o ex-governador diz ser inocente, nega todas as acusações e afirma estar confiante na Justiça.



