
dos varadouros de Rio Branco
A Polícia Federal deflagrou uma nova operação – a Usurpare V – para combater invasões de terras públicas e desmatamento no Projeto Assentamento Extrativista (PAE) Porto Dias, em Acrelândia (distante 110 km de Rio Branco). A ação ocorre em uma área de conflitos fundiários na divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia, a zona Amacro, onde Varadouro acompanha denúncias de loteamento clandestino e ameaças a famílias assentadas.
Em março de 2025, quatro pessoas foram presas em flagrante no Porto Dias durante a Operação Usurpare II. Na ocasião, as equipes identificaram estruturas clandestinas e materiais usados na demarcação e na comercialização irregular de lotes. A investigação havia começado a partir de denúncias de comunidades locais e órgãos de fiscalização sobre o avanço das ocupações e do desmatamento.
Os registros de ocupações irregulares remontam pelo menos a 2013, quando o Incra identificou cerca de 30 casos no assentamento. Em agosto de 2025, o instituto ajuizou uma ação de reintegração de posse na Justiça Federal e relatou a entrada de cerca de 50 pessoas na área com o objetivo de desmatar e ocupar parcelas do projeto.
Entre os episódios citados pelo MPF está o relato de que invasores voltaram ao assentamento no mesmo dia em que uma equipe do Ibama deixou a área. Para o órgão, a retomada das atividades ilegais após a fiscalização mostra por que as ações pontuais têm sido insuficientes para conter as invasões.
Esta é a quinta operação conduzida pela Polícia Federal no PAE Porto Dias, área que há anos vem sendo alvo de sucessivas ações estatais em razão de crimes ambientais e fundiários.
Informações recentes, obtidas por meio de monitoramento por imagens de satélite, análises geoespaciais, levantamentos de campo e denúncias, indicam a continuidade das ocupações irregulares, com abertura de novos ramais e ampliação das áreas desmatadas.

Uma zona de conflitos
O PAE Porto Dias guarda uma das sínteses mais emblemáticas das transformações que avançam sobre a Amazônia acreana nos últimos anos. Ali, onde famílias assentadas e seringueiras construíram suas vidas em meio à floresta, os conflitos pela posse e uso da terra voltaram a ganhar intensidade, acompanhando o avanço da fronteira agropecuária que se estende entre Acre, Amazonas e Rondônia.
Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que o Acre registrou 75 conflitos no campo em 2025, envolvendo mais de 30 mil pessoas.
Desse total, 72 ocorreram em disputas por terra. Acrelândia aparece como o principal epicentro dessas ocorrências.
Somente na região do Porto Dias, a CPT registrou dois conflitos, envolvendo 74 famílias assentadas. O relatório também contabiliza um conflito no vizinho Seringal Porto Dias, envolvendo 80 famílias seringueiras.
Os números revelam apenas parte de uma realidade mais complexa. No entorno de Porto Dias, multiplicam-se disputas em comunidades, glebas e ocupações de trabalhadores rurais, muitas delas localizadas ao longo da BR-364 – entre Rio Branco e Porto Velho
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Uma força-tarefa em Acrelândia
A operação de hoje contou com a participação de Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros.