MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

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Varadouro lança venda de pôsteres históricos para fortalecer jornalismo independente no Acre

Campanha reúne três capas do antigo “jornal das selvas” em formato A3; recursos vão apoiar a produção jornalística e a manutenção do veículo




dos varadouros de Rio Branco

A história do Acre pode ganhar um lugar na sua parede e ajudar a financiar novas reportagens. O Varadouro lança uma campanha de venda de pôsteres de três capas históricas de sua fase impressa, que foi entre 1977 e 1981 – em plena época de ditadura militar no Brasil. A iniciativa busca arrecadar recursos para fortalecer o jornalismo independente produzido na Amazônia, com atenção à floresta, aos direitos humanos, à democracia e às populações tradicionais.

A coleção reúne as capas “O Grande Mutirão contra a Jagunçada”, de outubro de 1979 (edição 16); “Um Retrato do Acre”, dezembro de 1979 (edição 17); e “Os Novos Donos do Acre”, de maio de 1980, (edição 19). Reproduzidas em formato A3, com 29,7 por 42 centímetros, em papel de reciclado de alta qualidade, elas registram conflitos e transformações que marcaram o território acreano e a Amazônia como um todo, e continuam presentes no debate sobre o futuro da região.

Criado em Rio Branco em 1977, pelo jornalista Elson Martins e uma equipe de colaboradores, o Varadouro circulou até dezembro de 1981, somando 24 edições. Em plena ditadura militar, denunciou a expulsão de seringueiros, a violência no campo e a substituição da floresta por pastagens. Suas páginas abriram espaço para populações que encontravam pouca escuta na imprensa e nas instituições.

Retomado em formato digital em julho de 2023, o “jornal das selvas” mantém o compromisso com uma cobertura construída a partir da Amazônia e de seus moradores. A campanha conecta essa trajetória à necessidade de sustentar o trabalho atual: acompanhar conflitos territoriais, apurar denúncias e produzir informação de interesse público.

Com o lema “A história na parede. O Varadouro nas ruas”, a iniciativa convida leitores e apoiadores a participar do financiamento do jornal. A receita das vendas contribuirá para a manutenção das atividades e a produção de reportagens. Cada pôster adquirido ajuda a preservar a memória da imprensa acreana e a dar continuidade ao trabalho que ela inspira.

As encomendas podem ser feitas pelo WhatsApp (68) 98122 4552 (clique aqui), onde também estão disponíveis informações sobre valores e formas de entrega para todo o país.



ASSISTA entrevista entre Elson Martins e Arquilau de Castro Melo, dois dos fundadores do Varadouro



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Conheça mais sobre cada edição:

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O Grande Mutirão contra a Jagunçada” – edição nº 16, outubro de 1979. A reportagem registrou a mobilização de mais de 300 trabalhadores rurais, em 2 de setembro de 1979, em Boca do Acre, no Amazonas, em defesa de 36 famílias de posseiros impedidas por jagunços de trabalhar na terra. Com a participação de representantes de sindicatos de diferentes municípios acreanos, o mutirão enfrentou a intimidação armada e reivindicou o direito das famílias de permanecer e produzir em suas colocações. A capa tornou-se um registro da organização coletiva contra a violência no campo na Amazônia durante a ditadura militar



“Um Retrato do Acre” – edição nº 17, dezembro de 1979. A capa sintetizou as condições de vida dos trabalhadores acreanos: famílias expulsas dos seringais, moradias precárias nas periferias, crianças fora da escola, fome e dificuldades de acesso à saúde. A reportagem reuniu denúncias e informações debatidas pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos com comunidades de base, mostrando também a violência policial e a exploração do trabalho. O desenho da família seringueira deixando sua colocação – reprodução de uma obra pintada pelo artista plástico acreano Hélio Melo – traduzia o deslocamento forçado e o desamparo de quem perdia seu lugar na floresta.



“Os Novos Donos do Acre” – edição nº 19, maio de 1980. Com uma ilustração de bois ocupando a capa, o Varadouro investigou a concentração de terras nas mãos de grupos empresariais e fazendeiros que chegaram ao estado a partir da década de 1970 – os chamados “paulistas”. A reportagem apresentou nomes, propriedades e projetos agropecuários, examinando os incentivos públicos que sustentavam essa invasão da Amazônia. Ao confrontar as promessas de desenvolvimento com a expulsão de seringueiros e a transformação da floresta em pastagens, o jornal expôs os interesses por trás da chamada “bovinização” do Acre.










Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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