PF mira rota de madeira retirada de terra indígena em Boca do Acre, na divisa Amacro

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PF mira rota de madeira retirada de terra indígena em Boca do Acre, na divisa Amacro

Operação investiga extração clandestina na Terra Indígena Valparaíso, do povo Apurinã, e possível participação de madeireiras da cidade, no Sul do Amazonas. A ação ocorre numa região onde o desmatamento e as disputas por terra são acompanhados pelo Varadouro desde 2023.

Agentes federais e do Ibama estiveram em madeireiras de Boca do Acre para apurar suspeitas de extração de madeira em território do povo Apurinã (Fotos: Ascom PF/AC)




dos varadouros de Rio Branco

A madeira saía da Terra Indígena Valparaíso, seguia pelo rio Purus e chegava a estabelecimentos na área urbana de Boca do Acre, no sul do Amazonas. É essa rota, da floresta ao comércio, que a Polícia Federal e o Ibama investigam em uma operação realizada nesta quinta-feira, 24. Foram expedidos nove mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e estabelecimentos comerciais.

Segundo a PF, os indícios apontam para a atuação coordenada de investigados na retirada, no transporte, no beneficiamento e na venda da madeira. Duas madeireiras estão entre os alvos, suspeitas de receber, processar e comercializar o produto extraído da terra indígena.

O Ibama participa com apoio técnico e poderá adotar medidas administrativas conforme as irregularidades encontradas. A investigação ainda precisa estabelecer a responsabilidade de cada envolvido.

A nota divulgada pela PF não informa o volume de madeira investigado, o período em que teria ocorrido a extração, a dimensão do dano à Terra Indígena Valparaíso nem o resultado das buscas. Também não identifica os investigados ou esclarece se há suspeita de participação de agentes públicos.

Boca do Acre integra a Amacro, região na divisa do Amazonas, Acre e Rondônia apresentada como uma nova fronteira do desmatamento amazônico. No levantamento mais recente do MapBiomas, houve redução de 24% da área desmatada na Amacro entre 2024 e 2025. A queda é relevante, mas não apaga a pressão sobre terras protegidas nem os conflitos que acompanham a expansão das atividades econômicas na região.


Amacro: uma zona de conflitos

Desde 2023, Varadouro mostra que a devastação nessa fronteira tem também uma dimensão humana. A cobertura registrou denúncias de grilagem, ameaças de morte, tortura, ataques armados e assassinatos em disputas fundiárias.

No seringal Novo Andirá, entre Boca do Acre e o Acre, famílias enfrentam há décadas uma disputa pela terra marcada por denúncias de violência e batalhas judiciais. Em outra reportagem, o jornal reuniu dados da Comissão Pastoral da Terra segundo os quais a Amacro acumulou 75 assassinatos e quase 1.600 conflitos de terra em dez anos.

Não é a primeira ação federal contra crimes ambientais no município. Em 2023, PF e ICMBio realizaram uma operação na Reserva Extrativista Arapixi, também em Boca do Acre. Agora, com a apuração concentrada na Terra Indígena Valparaíso e em estabelecimentos da cidade, o resultado das buscas poderá mostrar se os investigadores conseguiram reconstituir a rota da madeira e identificar seus beneficiários.



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Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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