AGENTE NADA SECRETO

Compartilhe

PF aponta Gladson Cameli como chefe de grupo suspeito de espionar suas operações no Acre

Investigação da Operação Umbra descreve uma rede que buscava informações dentro da própria Polícia Federal para antecipar ações contra alvos da Ptolomeu. A identificação do ex-governador como suposto chefe do grupo foi divulgada pela TV Gazeta.

Contraespionagem; ex-governador do Acre é suspeto de chefiar grupo criminoso montado para vigiar movimentações da Polícia Federal, cujas investigações lhe renderam quase 26 anos de cadeia por crimes de corrupção (Foto: Secom AC)




dos varadouros de Rio Branco

A Polícia Federal investiga uma estrutura montada para acompanhar os passos da própria corporação no Acre. O objetivo, segundo os investigadores, seria descobrir a movimentação de agentes e viaturas, antecipar operações e reduzir a eficácia de medidas judiciais contra pessoas investigadas em fases anteriores da Operação Ptolomeu. Essa é a frente de apuração que deu origem à Operação Umbra, deflagrada na terça-feira (22).

Uma reportagem da TV Gazeta publicada pelo site agazeta.net acrescenta um dado central ao caso: Gladson Cameli é apontado na investigação como chefe do grupo suspeito de espionar a PF.

Não é por menos. Foi por conta dos inquéritos da operação Ptolomeu, deflagrada em dezembro de 2021. que o ex-governador foi condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia, pelo Superior Tribunal de Justiça, pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude a licitação e formação de organização criminosa.

Conforme a reportagem, um ajudante de ordens e o ex-secretário da Casa Civil Jonathan Donadone seriam responsáveis pela execução das ações.. Dias atrás, Donadone também foi alvo da operação Death Note, da PF e CGU, que apura suspeitas de fraudes na Secretaria de Educação, cujos valores chegam a R$ 30 milhões.

Os dados incluiriam a identidade dos visitantes, o motivo da ida à PF e o tempo de permanência no local. O vigilante já não presta serviço à superintendência. Durante o cumprimento dos mandados judiciais da operação Umbra, a PF apreendeu dinheiro em espécie na casa dele.

A vigilância de quem entrava e saia do prédio da PF, ainda conforme a reportagem, continuaria depois que essas pessoas deixavam a sede da instituição. Integrantes do grupo também teriam buscado informações em hotéis de Rio Branco para acompanhar deslocamentos de hóspedes, sobretudo quem chegava de fora. A proprietária de um dos hotéis suspeitos de repassar informações ao grupo criminoso sobre pessoas que estiveram no prédio da PF também é alvo da operação Umbra.

No Acre pós-Ptolomeu, uma outra tática comum também era acompanhar a movimentação no aeroporto da capital, sobretudo a chegada de aeronaves da Polícia Federal.

O objetivo era saber se aviões e helicópteros da corporação traziam uma grande quantidade de agentes para realizar operações que viessem a ter como alvo figuras-chave do governo Cameli. A cada pouso de uma aeronave da PF, criava-se uma celeuma na capital acreana, com vídeos circulando em redes sociais. Movimentações atípicas de viaturas da PF – apelidadas de Uber Black – também chamavam a atenção.

A espionagem sobre as ações da Polícia Federal, obviamente, era para se antecipar a possíveis cumprimentos de mandados de busca e apreensão – e sobretudo prisões. O objetivo era traçar um plano de fuga antes da chegada dos agentes federais, em especial fugas terrestres para a vizinha Bolívia – onde os federais ficariam impedidos de cumprir os mandados de prisão.

Desde 2021, o ex-governador Gladson Cameli cumpre medidas cautelares impostas pelo STJ, entre elas a retenção de seu passaporte – como forma de evitar fugas para fora do Brasil.

A PF informou que apura a possível participação de um ex-terceirizado e de um agente da própria instituição no repasse indevido de dados sobre operações policiais. A TV Gazeta relata que 16 pessoas são investigadas nessa frente.

Entre os nomes citados pela emissora estão o vereador de Rio Branco Moacir Júnior, do Solidariedade, e sua irmã, Taiane Santos, alvos de buscas na terça-feira, quando a operação Umbra tomou as ruas da capital.

A reportagem informa ainda que Anne Caroline Arantes Rodrigues, também investigada, teria feito uma doação em dinheiro à campanha de Taiane. Durante as diligências, agentes encontraram dinheiro em espécie no carro da esposa do vereador e apuram sua possível destinação.

Esses pontos permanecem sob investigação; a reportagem da TV Gazeta afirma que a apuração envolvendo os irmãos não foi apresentada como investigação de crime eleitoral.

Umbra e Ptolomeu IV foram deflagradas simultaneamente, mas tratam de frentes distintas. Enquanto a Umbra investiga a suspeita de espionagem e tentativa de embaraçar as apurações, a Ptolomeu IV examina contratos relacionados à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União apontou cerca de R$ 1,2 milhão em possível superfaturamento por serviços pagos e não concluídos na etapa inicial da obra.

Nas duas operações, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. As ordens partiram do Superior Tribunal de Justiça. A PF informou a apreensão de aproximadamente R$ 1 milhão em espécie e a prisão em flagrante de três suspeitos por posse ilegal de armas de fogo.






Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

Ver todos os posts de Redação Varadouro
Logomarca

Deixe seu comentário

Últimas Publicações