Na região da Amacro, que abrange áreas do Amazonas, Acre e Rondônia, estão concentradas algumas das principais contradições do desenvolvimento amazônico. É onde o avanço das atividades agropecuárias, os conflitos fundiários e a pressão sobre os territórios florestais se entrelaçam às disputas pelo poder. É o que as eleições colocam em evidência: diferenças que não são meramente partidárias. Envolvem o futuro do território e de quem nele vive.
O avanço do desmatamento, as disputas pelo uso e pela posse da terra, a expansão de atividades econômicas sobre áreas de floresta e os desafios históricos de acesso a direitos e serviços públicos tornam a região um espaço estratégico para compreender os interesses que atravessam a política na Amazônia.
No Acre, estado historicamente associado à luta dos seringueiros, à defesa dos territórios e à construção de políticas socioambientais, a disputa eleitoral carrega também as contradições entre esse legado e os rumos recentes de sua política de desenvolvimento. A expansão da pecuária, a pressão sobre áreas florestais, os conflitos fundiários e a influência de setores ligados ao agronegócio desafiam a efetividade do discurso de valorização da floresta.
É preciso que os projetos políticos tragam propostas para o uso da terra, à proteção dos povos indígenas e das populações extrativistas e ao papel do Estado na fiscalização ambiental. O desafio é compreender até que ponto a memória das lutas socioambientais permanece como orientação política ou cede espaço a um modelo de crescimento que subordina a floresta à expansão econômica.
Em Rondônia, a expressiva presença de representantes vinculados ao agronegócio nos espaços de poder, somada às disputas pelos governos estaduais e pelo Senado, revela a força de determinados projetos de desenvolvimento. Nesse contexto, a distância entre o discurso de preservação ambiental e a prática política constitui um dos aspectos que precisam ser examinados com rigor.
No Amazonas, onde a dimensão territorial, a diversidade dos povos e a pressão sobre a floresta impõem desafios particulares à gestão pública, a disputa eleitoral também expõe diferentes concepções de desenvolvimento. A força das articulações políticas em torno da infraestrutura, da Zona Franca de Manaus, da exploração de recursos naturais e da expansão de atividades econômicas no interior coloca em evidência uma questão central: como conciliar crescimento econômico, proteção dos territórios e garantia de direitos?
Entre o discurso da bioeconomia e as propostas de ampliação de investimentos, é necessário observar quais projetos incorporam efetivamente o enfrentamento do desmatamento, das queimadas, da crise climática e das desigualdades que atingem populações indígenas, ribeirinhas e comunidades tradicionais.
As eleições colocam em disputa muito mais do que nomes, partidos e alianças. Na Amazônia, escolher representantes significa também definir os rumos das políticas ambientais, da proteção dos territórios, dos direitos dos povos indígenas e das populações tradicionais e dos modelos econômicos que receberão incentivos e recursos públicos nos próximos anos.
Varadouro acompanha as eleições na região Amacro dentro do que se propõe a fazer: analisar os compromissos dos candidatos a partir do território, voltado aos direitos dos povos da floresta e os modelos de desenvolvimento para o Amazonas, Acre e Rondônia.