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UCs do Vale do Juruá entram no mapa das áreas protegidas mais ameaçadas da Amazônia

Até bem pouco tempo atrás considerado livre das pressões do desmatamento sobre a Floresta Amazônica, Vale do Juruá se vê, ano após anos, ameaçado por essa nova frente da devastação, incluindo a Serra do Divisor. (Foto: Pedro Devani/Secom Acre)



Após décadas de relativo isolamento, Vale do Juruá vê crescer pressão sobre áreas protegidas. Parque Nacional da Serra do Divisor, Resex Alto Juruá e outras cinco unidades estão entre as mais pressionadas da Amazônia Legal. Pavimentação da BR-364, abertura acelerada de ramais e expansão da agropecuária transformam uma das regiões mais preservadas da Amazônia em nova fronteira do desmatamento.



Tatiane Sousa
dos varadouros de Cruzeiro do Sul

Sete Unidades de Conservação (UCs) do Vale do Juruá passaram a figurar entre as áreas protegidas mais ameaçadas e pressionadas da Amazônia Legal. Os dados chamam a atenção para uma das regiões mais preservadas do país, onde povos indígenas, extrativistas e ribeirinhos convivem com o avanço do desmatamento, a abertura de ramais e o aumento das invasões em seus territórios.

As áreas protegidas da Amazônia são territórios que visam garantir a conservação da biodiversidade e os modos de vida de comunidades tradicionais, representam um verdadeiro patrimônio natural e, dado os serviços ecosistémicos que prestam, como a regulação do clima, possuem importância global. Essa categoria inclui tanto terras indígenas, quanto as unidades de conservação, que podem variar de proteção integral, como os Parques Nacionais, e de uso sustentável, como as reservas extrativistas.

Os dados integram o relatório mais recente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), elaborado a partir de alertas de desmatamento. O estudo é produzido a partir do monitoramento realizado pelo Imazon por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ferramenta que combina imagens de satélite e inteligência artificial para detectar, quase em tempo real, as áreas onde a floresta está sendo derrubada.

O Vale do Juruá, no Acre, possui atualmente 37 áreas protegidas que juntas, resguardam mais de 2,5 milhões de hectares, protegendo uma enorme variedade de espécies e ecossistemas que possuem alto nível de endemismo, ou seja, abrigam seres vivos que só existem na região. Além do mais, o Vale do Juruá possui diversos territórios tradicionalmente ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, cujos modos de vida estão profundamente ligados à floresta e às águas juruaenses.

Mapa das Áreas Protegidas do Vale do Juruá. Em verde temos as Terras Indígenas, em rosa as Unidades de Conservação Federais e em preto as Unidades de Conservação Estaduais. (Fonte: Instituto Fronteiras)



Os dados mais preocupantes recaem sobre o Parque Nacional (Parna) da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista (Resex) do Alto Juruá. No último relatório do Imazon, o qual compreende o período de janeiro a dezembro de 2025, o parque apareceu como a quinta área protegida mais ameaçada da Amazônia Legal.

E quando analisado pela categoria de unidade de conservação federal, ele está como a terceira mais ameaçada e a quinta mais pressionada. Já a Resex do Alto Juruá, aparece na quarta posição no ranking das 10 áreas protegidas mais pressionadas na Amazônia Legal; já quando se analisa apenas as UCs federais, ela vai para a segunda colocação.



Áreas Protegidas da Amazônia Legal com mais Ameaça. Fonte: IMAZON, 2025


Áreas Protegidas da Amazônia Legal com mais pressão. Fonte: IMAZON, 2025



O estudo do Imazon trabalha com dois conceitos chaves: ameaça e pressão. A ameaça ocorre quando o desmatamento é registrado nas proximidades de uma área protegida, em um raio de até 10 quilômetros de seus limites, ou seja, na sua vizinhança, ou como também é chamada, a zona de amortecimento.

Embora a derrubada ainda não tenha alcançado o interior da área protegida, ela representa um sinal de alerta, pois pode avançar para dentro da unidade. Já a pressão, acontece quando o desmatamento já está ocorrendo dentro da própria área protegida, afetando diretamente a conservação da floresta e os serviços ambientais que ela oferece.

No estudo do Imazon referente a 2025, despontou ainda entre as unidades de conservação federais mais pressionadas da Amazônia Legal, a Resex do Alto Tarauacá, ocupando a oitava posição, e a Resex Riozinho da Liberdade, em décimo lugar.

Entre as unidades de conservação estaduais, a Floresta Estadual (FES) do Rio Gregório, em Tarauacá, apareceu como a terceira mais ameaçada e a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Japiim Pentecostes (em Mâncio Lima) como a sexta. Já no ranking das mais pressionadas, a FES do Rio Gregório figurou em sexto lugar e a FES do Mogno em oitavo.

Estes dados sugerem que o Vale do Juruá vem se consolidando, ao longo da última década, como uma nova fronteira do desmatamento no Acre. Enquanto a construção da BR-364 e as políticas de “ocupação” promovidas pela ditadura militar (1964-1985) favoreceram a chegada de fazendeiros e a expansão da agropecuária no Vale do Acre (no leste do estado), ainda na década de 1970, o Juruá (no oeste acreano) permaneceu relativamente à margem desse processo.

Não por acaso, uma outra unidade de conservação acreana já há algum tempo ocupa a primeiríssima posição entre as áreas protegidas da Amazônia Legal mais ameaçadas e pressionadas; a Resex Chico Mendes, localizada no Vale do Acre, região consolidada pela ocupação da agropecuária, e que concentra mais de 70% de toda a floresta desmatada dentro do estado.

A própria BR-364 – que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul – permaneceu praticamente intrafegável por décadas, e só teve sua pavimentação “concluída” em 2011. Esse isolamento geográfico relativo ajudou a preservar extensas áreas de floresta, mas também faz com que a região esteja, atualmente, no centro do avanço do desmatamento no estado, o qual acompanhou a abertura da BR 364 e de ramais.

De acordo com estudos do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (Labgama) da Universidade Federal de Acre (Ufac), em Cruzeiro do Sul, são abertos mais de 540Km de novos ramais por ano no estado. Nos últimos anos, porém, esse ritmo se intensificou: desde 2019, a abertura de estradas mais que dobrou, ultrapassando mil quilômetros anuais e avançando sobre áreas antes preservadas.

O avanço do desmatamento acompanha a abertura de estradas e ramais no Vale do Juruá, afetando suas Unidades de Conservação. Fonte: Instituto Fronteiras





Ameaça à Serra do Divisor

O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma UC de proteção integral criada em 1989, em área sobreposta a territórios tradicionalmente ocupados pelos povos indígenas Nawa e Nukini, além de comunidades de seringueiros. Com 837.554 hectares, o parque abriga atualmente mais de 500 famílias indígenas e extrativistas.

Em 2024, o parque entrou para a lista das 50 unidades de conservação com maior área desmatada do país, totalizando 158 hectares afetados, de acordo com o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), elaborado pelo MapBiomas. Já em 2025, embora tenha aparecido no ranking do Imazon, ele deixou de constar na lista do Mapbiomas entre as UCs mais desmatadas.

Foi há exatos dois anos que o Parna Nacional da Serra do Divisor foi atingido por um incêndio florestal que superou os 10 hectares. O fogo teria começado a partir de uma queimada numa área de roçado que saiu do controle e adentrou a floresta. O episódio mostrou não somente o aumento das pressões das atividades humanas, mas de como as mudanças climáticas – com o aumento das temperaturas e dos dias sem chuva – deixam a floresta mais vulnerável a incêndios.

Segundo Flávia de Souza, chefe da Coordenação Territorial Rio Branco, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 1,5% da área total do Parna da Serra do Divisor já foi desmatada. Para ela, apesar da unidade enfrentar uma pressão crescente no entorno, associada, sobretudo, a projetos de abertura de estradas, a gestão realizada em parceria com as comunidades locais vem conseguindo amenizar os impactos.

Além de pressões das atividades humanas e da agropecuária em seu interior e no entorno, Parna da Serra do Divisor é alvo de assédio político por “atrapalhar” projeto de nova rodovia entre Brasil e Peru (Foto: Divulgação)



“A Serra do Divisor tem uma pressão muito grande por conta do processo de abertura de estradas que têm tramitado junto ao Deracre [Departamento de Estradas de Rodagem do Acre]. É um grau de pressão significativo que a gente enfrenta na unidade”, comenta ela.

“Além disso, a proposta recente de recategorização para Área de Proteção Ambiental (APA) fragilizou o trabalho de gestão e intensificou o processo de pressão e ameaça no território, principalmente durante os anos de 2022 e 2023, mas a partir de 2024 houve um fortalecimento da gestão, tivemos o concurso, aumento da equipe, coisas que a gente nunca tinha visto no território”, completa a coordenadora.

Em dezembro de 2019, a recategorização do Parna da Serra do Divisor foi incluída, pela bancada da motosserra do Acre, no Projeto de Lei (PL) 6024, que visava desafetar áreas da Resex Chico Mendes. Com o “rebaixamento” de parque nacional para APA, o objetivo era eliminar barreiras burocráticas e ambientais para a abertura da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru – cujo traçado “rasgaria” o Vale do Juruá de ponta a ponta.

O prejuízo é a perda do status de proteção integral, o que ameaça uma das maiores biodiversidades da Amazônia, abrindo espaço para desmatamento e ocupação irregular. O rebaixamento da categoria de Parque Nacional para APA, associado a projetos como a pavimentação da rodovia Pucallpa-Cruzeiro do Sul – que se encontra suspenso pela Justiça Federal – pode aumentar o desmatamento em áreas mais internas da Serra e propiciar a construção de outras vias secundárias.

O impacto protetor é comprovado pela diferença dos indicadores. Entre 1988 e 2018, enquanto o entorno registrou aumento significativo no desflorestamento anual (535%) e nas pastagens (1059%), os índices internos foram expressivamente menores, com altas de 56% e 410%, respectivamente. Esses dados confirmam a importância da unidade como barreira de contenção frente ao avanço do desmatamento no extremo oeste do país.

Os dados de satélite mostram onde o desmatamento está acontecendo, mas é a partir da escuta das vozes do território que é possível entender o que significam essas ameaças e pressões no cotidiano das famílias que vivem na floresta.

Na porção norte do parque, cujo acesso se dá pelo rio Moa, em Mâncio Lima, encontram-se áreas que dão acesso às terras Indígenas Nawa e Nukini – sobrepostas ao parque – e à Serra do Divisor em si, que é um conjunto de montanhas que delimitam a fronteira entre o Brasil e o Peru.

Nessa região, as principais pressões estão associadas à presença de pequenos fazendeiros instalados no interior da unidade, especialmente em áreas onde há sobreposição com a terra indígena Nawa.

Railson Nawa, cacique do povo Nawa, mostra-se preocupado com o cenário atual. Ele explica que as famílias indígenas e extrativistas precisam abrir pequenos roçados, geralmente entre um e dois hectares por ano, para garantir a produção de alimentos e alguma geração de renda, cultivando macaxeira, feijão, arroz, milho, jerimum, melancia e outras frutíferas.

Para ele, porém, esse não é o desmatamento que ameaça a floresta. A sua maior preocupação está no avanço das mudanças climáticas e na permanência de pequenos fazendeiros dentro do Parna da Serra do Divisor e da Terra Indígena Nawa.


Na porção sul do parque, acessível pelos rios Juruá-Mirim e Juruá, nos municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, as ameaças assumem outras formas. Moradores relatam que a área sofre invasões frequentes para a extração predatória de piaçaba, utilizada na fabricação de vassouras, além da prática de caças ilegais com cachorro.

Já foram encontrados diversos tapiris e armadilhas com espingardas espalhadas pelo território. Essas armadilhas representam um risco não apenas para os animais, mas também para as pessoas que vivem no parque e dependem da floresta para garantir seu sustento.

“É uma devastação sem tamanho, na área do parque não tem mais nenhuma piaçaba. É um impacto grande. Pessoas de outras áreas adentram para caçar, pegam 30, 40 jabutis e vão embora. Quem sofre é quem vive no oarque”, afirmou um morador ao Varadouro. Por questão de segurança, ele pediu para não ser identificado.

A retirada indiscriminada da piaçaba afeta toda a cadeia alimentar da floresta. Animais como paca, macaco e cutia se alimentam dos frutos da palmeira e, com a diminuição dessa espécie, acabam se afastando da região, prejudicando também a alimentação das famílias que vivem no interior da unidade e que dependem da caça de subsistência como uma das principais fontes de proteína.

A liderança Railson Nawa, do povo Nawa, aponta os desafios enfrentados por quem tenta conciliar a sobrevivência com a preservaçaõ da floresta no Parna da Serra do Divisor (Foto: Fabio Pontes/Varadouro)



A porção sul do parque é afetada por diferentes pressões e ameaças. No entorno da unidade há grandes áreas de pastagem, moradores de áreas circunvizinhas adentram a unidade para abrir roçados, retirar madeira para a construção de cercas e canoas e, em alguns casos, comercializar a madeira extraída nos municípios de Cruzeiro do Sul e Porto Walter.

O ramal que liga Porto Walter a áreas de assentamento no entorno do parque vem se consolidando como a principal rota de entrada para a retirada ilegal de madeira no interior da unidade.

Segundo relatos de moradores ouvidos pela reportagem, pessoas do município utilizam a estrada para acessar o Parna da Serra do Divisor e suspeitam que a atividade possa contar com o apoio de empresários locais. O clima de tensão também afeta as lideranças da região, que se sentem inseguras e relatam já terem recebido ameaças de morte por sua atuação na defesa do território.



Resex Alto Juruá

A Resex do Alto Juruá foi a primeira Reserva Extrativista do Brasil. Criada em 1990 a partir da mobilização dos seringueiros contra o poder do patronato local, a unidade nasceu como uma proposta inovadora de desenvolvimento para a Amazônia, conciliando a garantia dos direitos das comunidades tradicionais com a conservação da floresta.

A reserva está sobreposta ao território indígena reivindicado pelo povo Kuntanawa, que nos últimos vê avançar o processo de demarcação, conforme mostrou Varadouro em abril.

A criação da Resex, embora tenha garantido o direito à terra e contribuído para a conservação da floresta, não foi suficiente para assegurar uma fonte de renda sustentável baseada no extrativismo. Em seus 537.946 hectares vivem mais de 2.200 famílias, que precisam conciliar a proteção da floresta com a busca por renda e melhores condições de vida.

O extrativismo, que esteve na origem da reserva, já não é suficiente para sustentar a economia local, enquanto o crescimento da população e a falta de políticas públicas voltadas à geração de renda contribuem para o aumento das pressões sobre o território.

Hoje, a principal fonte de renda das famílias vem da agricultura familiar, enquanto a produção de borracha representa apenas uma pequena parcela da economia local. Atualmente, a Cooperativa de Produtores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Coopersonhos) trabalha com 50 seringueiros, responsáveis pela produção anual de aproximadamente 12 toneladas de borracha. O quilo é comercializado a R$ 15, valor pago diretamente ao produtor.

Sobrevoo na região do Alto Juruá revela dimensão da expansão do desmatamento sobre o extremo-oeste do Acre, região antes considerada intocada pela ação humana e da agropecuária (Foto: Fabio Pontes/Varadouro)



Localizada na faixa de fronteira com o Peru, a Resex do Alto Juruá ocupa cerca de 70% do território do município de Marechal Thaumaturgo. A extensa área protegida enfrenta pressões constantes decorrentes de atividades ilegais, como invasões para caça e pesca predatórias, extração ilegal de madeira e arrendamento de áreas para a criação de gado.

De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento (RAD), foram desmatados 288 hectares em 2025, contra 557 hectares em 2024. Segundo o chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio de Cruzeiro do Sul, Mosart Pessoa Neto, essa redução é resultado do trabalho de conscientização e educação ambiental realizado em parceria com a Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Asareaj), e de ações de fiscalização promovidas pelo ICMBio em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Militar e o Exército.

Ainda de acordo com Mosart, atualmente 70% das áreas desmatadas dentro da Resex do Alto Juruá possuem menos de dois hectares, o que indica a predominância de pequenos roçados voltados à subsistência e geração de renda.

Apesar dos registros de desmatamento, de acordo com o ICMBio, apenas cerca de 5% da área total da Resex encontra-se desmatada, o que demonstra que a maior parte do território permanece preservada.

Um dos principais desafios atuais da UC está relacionado à segurança alimentar. Com a caça e o pescado se tornando cada vez mais rarefeito, e com a inexistência de políticas públicas eficazes para geração de renda a partir de produtos florestais não madeireiros, alguns moradores passaram a investir na criação de gado como uma alternativa de renda e fonte de alimentação.

Segundo Francisco Araújo, subprefeito da comunidade Novo Horizonte, “a falta de perspectiva e políticas públicas é o que faz com que as pessoas façam qualquer coisa para sobreviver.”

“Se levarmos em consideração o número de famílias e a extensão do território, nós estamos fazendo o possível para sobreviver com equilíbrio dentro da Resex. Essa situação de pessoas que vivem na sede do município e que entram na unidade para desmatar, ter fazenda e criar gado realmente existe e, infelizmente, o órgão gestor não tem estrutura o suficiente para cuidar de toda a unidade”, completa.

A pressão exercida sobre a floresta reflete naqueles que dependem dela, que seguem se reorganizando e resistindo como parte do corpo que compõe o território.

Segundo o ICMBio, o Plano de Manejo da Resex do Alto Juruá está prestes ar aprovado e publicado até o final deste ano.


O rio Juruá, em Marechal Thaumaturgo, municípioo cujo 70% do território está formado pela Resex do Alto Juruá; uma relação que necessita conciliar a subsistência das famílias com a manutenção da floresta em pé, com atividades que gerem renda e redução de impactos ambientais (Foto: Fabio Pontes/Varadouro)




Desafios de gestão

Enquanto o desmatamento avança e as pressões se multiplicam, a estrutura do Estado permanece limitada. O Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Cruzeiro do Sul é responsável por quase 1,7 milhão de hectares distribuídos entre o Parque Nacional da Serra do Divisor, a Resex do Alto Juruá e a Resex Riozinho da Liberdade.

De acordo com o ICMBio, essa estrutura atende a cerca de 20 mil pessoas e quase seis mil famílias. Para coordenar as ações na região, o quadro permanente do Núcleo – recentemente reforçado por novos concursos – conta com seis servidores efetivos, sendo quatro analistas e dois técnicos ambientais. A operacionalização contínua das atividades de apoio logístico e operacional é complementada por uma equipe de 18 profissionais contratados temporariamente.

Os dados revelam onde a floresta está sendo ameaçada e pressionada. No Vale do Juruá, o futuro das unidades de conservação dependerá, também, da capacidade do Estado de implementar políticas públicas capazes de garantir a proteção dos ecossistemas, da biodiversidade e, sobretudo, de assegurar vida digna aos povos da floresta.













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