
dos varadouros de Rio Branco
O Acre entrou em setembro sob os efeitos mais intensos do verão amazônico. As temperaturas se aproximam dos 40°C em Rio Branco, os principais rios do estado continuam perdendo volume e a ausência de chuvas amplia o risco de queimadas, incêndios florestais, desabastecimento e problemas provocados pela fumaça. Dados do Programa BD Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o Acre registrou 487 focos de calor entre 31 dias de agosto. No mesmo mês de 2025, foram contabilizados 517 focos.
A diferença representa uma redução de aproximadamente 5,8%, com 30 registros a menos. A queda, entretanto, é discreta e não significa uma trégua no período mais crítico do ano. Um foco de calor indica a presença de fogo em um elemento da imagem captada pelos satélites. Por isso, a quantidade de focos não corresponde necessariamente ao número exato de incêndios nem permite calcular, isoladamente, o tamanho da área atingida.
Feijó apareceu no topo da lista estadual em agosto, com 158 focos, equivalentes a 32,4% de todas as ocorrências identificadas no Acre. Tarauacá ficou na segunda colocação, com 82 focos, ou 16,8% do total. Somados, os dois municípios concentraram 240 registros – 49,3% de todos os focos detectados no estado durante o mês.
Ao menos desde 2019, tanto Feijó quanto Tarauacá figuram nas primeiras posições em registros de focos de queimadas e de desmatamento não só no Acre, mas também em toda a Amazônia Legal.
Na sequência aparecem Sena Madureira (38 F) Cruzeiro do Sul (36 F) Rio Branco (32 F), Marechal Thaumaturgo (20 F) e Manoel Urbano (18 F). Os cinco primeiros municípios do levantamento — Feijó, Tarauacá, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul e Rio Branco — reuniram 346 focos, correspondentes a pouco mais de 71% dos registros de agosto em todo o estado.
Na tarde de ontem (31), o repórter-fotográfico Paulo Henrique Costa registrou o trabalho do Corpo de Bombeiros para combater uma queimada em área de vegetação no bairro Santa Terezinha, em Cruzeiro do Sul. Já há alguns anos, os municípios do Vale do Juruá também apresentam expressiva elevação no registro de queimadas.
Em seguida estão Feijó, Rio Branco e Rodrigues Alves, todos com áreas queimadas superiores a 700 hectares. Tarauacá completa o grupo dos cinco municípios mais afetados.
O mapa produzido pelo LabGama mostra uma forte concentração de cicatrizes de queimadas no Vale do Juruá, especialmente nos municípios de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. No leste do estado, também são observadas áreas atingidas pelo fogo no entorno de Rio Branco e nas regiões pressionadas pela expansão do desmatamento.

Rios continuam baixando
O Boletim Hidrometeorológico divulgado nesta terça-feira, 1º, pelo Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) mostra redução nos níveis dos rios das quatro bacias monitoradas.
Na bacia do rio Acre, praticamente todas as plataformas apresentaram queda entre entre segunda e terça-feira. Em Rio Branco, o manancial baixou de 1,83 metro para 1,78 metro. A cota está abaixo do nível máximo de alerta para estiagem, estabelecido em 2,69 metros. O rio Acre também recuou em Assis Brasil, Brasileia, Xapuri, Capixaba e Porto Acre.
Outros afluentes importantes para o abastecimento da capital também perderam volume. O Riozinho do Rola caiu de 95 para 92 centímetros, enquanto o Espalha passou de 41 para apenas 39 centímetros.
Na bacia do Purus, houve redução em todas as estações com leitura disponível. Em Sena Madureira, o rio Iaco marcou 1,18 metro, abaixo da cota máxima de alerta para estiagem, que é de 2 metros. Em Manoel Urbano, o nível caiu de 3,36 para 3,26 metros.
Nas bacias do Tarauacá/Envira, o rio Tarauacá recuou de 3,38 para 3,36 metros. Em Jordão, o nível permaneceu estável em apenas 66 centímetros.
O Rio Juruá também apresentou queda. Em Cruzeiro do Sul, o nível passou de 4,14 para 4,07 metros. Na Ponte do Liberdade, a medição baixou de 1,37 para 1,36 metro, aproximando-se da cota de alerta para estiagem, fixada em 1,30 metro.
Calor e chuva abaixo da média
O prognóstico climático para o trimestre de agosto, setembro e outubro indica chuvas abaixo da média histórica no Acre. Ao mesmo tempo, são esperadas temperaturas acima da média em toda a Amazônia Legal. Segundo o Cigma, as condições estão associadas à consolidação do El Niño e ao fortalecimento do acoplamento entre o oceano e a atmosfera no Pacífico Equatorial.
Para a primeira semana de setembro, os modelos meteorológicos indicam possibilidade de chuvas entre 1 e 50 milímetros. A distribuição, porém, deverá ser irregular. Grande parte do Acre poderá receber precipitações abaixo do esperado, enquanto pontos das regionais do Juruá e Tarauacá/Envira podem registrar volumes acima da média semanal.
A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade, redução do volume dos rios e escassez de chuvas deixa a vegetação mais seca e vulnerável ao fogo. Também favorece a propagação das chamas e dificulta o controle de incêndios em áreas rurais e florestais.
