Soleane Manchineri leva a voz das mulheres indígenas à disputa pelo Senado

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Soleane Manchineri leva a voz das mulheres indígenas à disputa pelo Senado

Candidata a suplente de senadora pela Rede denuncia violência política, defende proteção diferenciada às mulheres indígenas e propõe ampliar direitos sociais. Assista entrevista

Liderança do povo Manchineri e advogada, Soleane foi a primeira mulher indígena do país a ocupar o cargo de Ouvidora Geral da Defensoria Pública


dos varadouros de Rio Branco

A candidatura de Soleane Manchineri a suplente de senadora pela Rede leva ao debate eleitoral a realidade das mulheres indígenas, marcadas pela sobreposição entre racismo, machismo e ausência de políticas públicas diferenciadas. Para ela, ocupar os espaços de decisão é uma forma de enfrentar violências históricas e garantir que as mulheres indígenas participem da formulação das políticas que afetam suas vidas e seus territórios. Soleane concorre na primeira suplência da chapa do candidato Inácio Moreira, do PSOL.

Soleane afirma que uma das expressões mais persistentes dessa violência é a erotização do corpo da mulher indígena, herança do processo colonial que ainda hoje serve para questionar sua capacidade de ocupar posições de liderança. “Existe uma erotização muito alta, e isso coloca em xeque a competência de muitas mulheres. Se a mulher assume o poder, se pergunta: com quem ela dormiu para assumir este cargo?”

A candidata classifica esse julgamento como uma forma de violência política de gênero. “A gente não chegou lá porque dormiu com alguém. Nós chegamos porque temos competência. E isso também é um tipo de violência política”, afirma. Para Soleane, a desqualificação atinge mulheres que conquistam reconhecimento por sua formação, trajetória e atuação coletiva.

Na área de segurança e proteção social, ela defende medidas diferenciadas de enfrentamento à violência contra as mulheres indígenas. Para ela, medidas como o uso de tornozeleiras pelos agressores, com a proibição de aproximação da mulher, não se aplicam à realidade de ambientes rurais ou de floresta.


A proposta parte da compreensão de que as políticas públicas precisam considerar as especificidades culturais e territoriais das mulheres que vivem nas aldeias, nas comunidades e também nos centros urbanos.

Soleane relaciona a violência contra as mulheres à própria ausência do poder público. “Precisamos ter a consciência de votar em pessoas que não mais violem os nossos direitos. E violar não é só com racismo, não. É quando você deixa a população com ausência de políticas públicas. Quando o Estado se torna ausente”, diz.

A candidata também critica os senadores acreanos que votam favoravelmente ao marco temporal e defende maior presença indígena no Congresso Nacional. “Estas terras sempre foram nossas. Rio Branco foi fundada por cima de uma aldeia Apurinã. Então, Rio Branco é uma aldeia do povo Apurinã. As terras demarcadas são um direito constitucional e são inalienáveis.”

Para Soleane, eleger representantes indígenas é fundamental para proteger os territórios e impedir novos retrocessos. “A gente precisa de representantes indígenas no Congresso Nacional lutando pela voz dos povos indígenas”, afirma. Ela também propõe que o Acre reconheça uma língua indígena como oficial, valorizando os povos originários na história e na identidade do estado.

Sua agenda inclui ainda o combate à pobreza e a defesa do fim da escala 6 x 1.

Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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