Operação do Ibama em área de conflito no sul do AM revolta camponeses após queima de trator

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Operação do Ibama em área de conflito no sul do AM revolta camponeses após queima de trator

Após operação do Ibama que resultou na destruição de um trator, famílias do acampamento Marielle Franco fecharam trecho da BR-317, entre o AC e o AM. (Foto: Divulgação)




Operação conduzida pelo Ibama de Brasília em região já marcada por intensas e violentas disputas por terra reacende disputa entre famílias sem-terra e proprietários da Fazenda Palotina; Ibama alega que trator era usado para abertura de ramal; camponeses negam.


dos varadouros de Rio Branco e Porto Velho

Cerca de 50 trabalhadores rurais da Comunidade Mariele Franco fecharam a BR-317, entre Rio Branco e Boca do Acre, nesta terça-feira, 18, em protesto contra uma operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizada na segunda-feira, 17, em uma área de intenso conflito fundiário no vizinho município de Lábrea, no Amazonas.

De acordo com lideranças da comunidade ouvidas por Varadouro, agentes do Ibama e da Força Nacional chegaram de surpresa à região, imobilizaram um trabalhador que estava numa das casas, desligaram as câmeras de vigilância e incendiaram um trator. De acordo com a testemunha, o trator era emprestado e estava no local aguardando peças de reposição para ser empregado na preparação do solo para o cultivo.

“O trator tava quebrado lá, ele tava fazendo um trabalho pra comunidade. O rapaz só tem esse trator. Era o ganha pão dele. E o Ibama foi lá e queimou o trator que só estava estacionado, sem estar trabalhando nem nada, entendeu? Chegou lá abusando na casa, invadiu a casa, pegou gasolina e tocou fogo no trator. Então, pra mim, isso aí é um ato de terrorismo, entendeu?”, questionou o produtor Paulo Sérgio Costa de Araújo, uma das lideranças da comunidade.

De acordo com Paulo, os trabalhadores apoiam o trabalho do Ibama, desde que seus agentes respeitem as pessoas. “Acho que o Ibama tinha que ter conversado com o dono do trator, notificado ele, feito um trabalho correto. Ele é um cidadão trabalhador, não é um bandido. Quem tá fazendo trabalho de bandido lá é o Ibama, queimando as coisas do outro. Então o Ibama tá provocando a sociedade para entrar em confronto”, observou Paulo.

A reportagem do Varadouro entrou em contato com as assessorias de comunicação do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, responsável pelo Ibama e com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que coordena as ações da Força Nacional. Também procuramos a assessoria do Ibama no Amazonas que informou que a ação foi conduzida pela chefia de operações do instituto em Brasília.

Após mais de 10 horas de fechamento da BR-317, os camponeses fizeram a liberação do tráfego após diálogos com representantes do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal, além da própria Polícia Federal.

De acordo com informações apuradas por Varadouro, o Ibama investiga o caso de desmatamento, e de que o trator estaria sendo usado para a abertura de um ramal.

A área em questão já é bastante conflagrada por violentos e intensos conflitos pela terra. As mais de 200 famílias do acampamento Marielle Franco enfrentam, desde 2019, uma verdadeira batalha para que o Incra as assente como beneficiárias da reforma agrária, enquanto a família Zamora afirma ser a dona da região ocupada e parte da Fazenda Palotina.

Na semana passada, Varadouro mostrou que decisão de um desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF-1) legitimou a arrecadação de quase 30 mil hectares pelo Incra para assentar as famílias.

No meio do conflito e da batalha judicial para saber quem tem direito à terra, em meio a denúncias de fraudes em cartórios de Lábrea para legitimar a grilagem de terras públicas, há uma troca de acusações entre as famílias de ocupantes e dos fazendeiros sobre a prática de crimes ambientais, em especial o desmatamento. A região é vizinha à Floresta Nacional (Flona) do Iquiri, o que leva a operações constantes tanto do Ibama quanto do ICMBio.

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Redação Varadouro

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