Candidato a deputado estadual, o professor e ex-prefeito de Marechal Thaumaturgo Isaac Piyãko afirmou, em entrevista ao Varadouro, que um dos principais desafios de sua campanha é “furar bolhas” e mostrar que lideranças indígenas podem governar e representar também a população não indígena.
Segundo ele, vencer a eleição para prefeito do município do Alto Juruá foi mais fácil do que construir sua gestão diante das dificuldades financeiras e do preconceito que enfrentou por ser indígena. Agora, concentrando boa parte da campanha no Vale do Juruá, Piyãko diz que sua ambição não é apenas chegar à Assembleia Legislativa, mas construir um mandato de qualidade e ampliar a representação dos povos indígenas na política acreana.
Com experiência também no Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Rio Juruá e profundo conhecimento do interior acreano, o candidato afirma que sua atuação não pretende ficar restrita às aldeias. “Eu posso ajudar não só as comunidades indígenas, que é uma área que eu conheço, mas as áreas não indígenas. Eu diria hoje que a maioria do meu eleitorado é não indígena”, afirmou.
Para Piyãko, dialogar com esses dois públicos fortalece sua candidatura não apenas como estratégia eleitoral, mas como parte de uma proposta de “promover uma política de mudança”.
A situação da fronteira entre Brasil e Peru ocupou parte importante da entrevista. Piyãko relacionou o avanço do narcotráfico e do crime organizado na região a um processo que, segundo ele, começou com a exploração ilegal de madeira e passou a envolver outras atividades criminosas.
Nesse cenário, comunidades indígenas que protegem seus territórios acabam confrontando interesses de grupos ilegais. “A gente acaba sendo uma barreira para muitas frentes. E, como a gente se torna uma ameaça para quem quer fazer o tráfico ali, a gente é uma ameaça [aos interesses desses grupos] e, ao mesmo tempo, se torna vítima”, afirmou.
