
Entre 5 e 6 de junho, mais de 40 jovens indígenas, representantes de 10 povos, estarão reunidos na capital acreana para debater e propor ações de fortalecimento da mídia indígena e do protagonismo da juventude indígena amazônica nos espaços de comunicação.
dos varadouros de Rio Branco
A capital Rio Branco receberá, nos dias 5 e 6 de junho, a segunda edição do maior encontro de comunicadores indígenas do estado, considerado o mais importante espaço de articulação, formação e fortalecimento da comunicação indígena no Acre. A iniciativa é realizada pelo Primeiro Coletivo de Comunicação Indígena do Acre, o Tetepawa Comunica, e reunirá mais de 40 jovens indígenas, representantes de 10 povos em uma programação voltada à formação política, comunicação comunitária e construção de estratégias digitais de incidência social e territorial.
O encontro integra um projeto em execução contemplado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, consolidando ações permanentes de fortalecimento da mídia indígena e do protagonismo da juventude indígena amazônica nos espaços de comunicação. Esta será formação ampliando as possibilidades de intercâmbio entre comunicadores indígenas, lideranças, estudantes, coletivos e organizações parceiras.
A programação contará com rodas de diálogo, oficinas, painéis e atividades colaborativas voltadas à produção de conteúdos para redes sociais, combate à desinformação e às fake news, fortalecimento da comunicação comunitária e construção de narrativas sobre os direitos dos povos indígenas.
“Essa formação nasce da necessidade urgente de fortalecer a juventude indígena diante de uma realidade marcada por muitos desafios, pela ausência de oportunidades e pelas pressões externas que avançam cada vez mais sobre os nossos territórios e sobre a vida dos nossos jovens”, diz Samuel Arara co-fundador e um dos coordenadores do Tetepawa Comunica.
“Hoje, muitos deles vivem expostos à violência, à falta de acesso à educação e à ausência de políticas públicas que garantam perspectivas reais de futuro. Então, fortalecer a comunicação indígena é também fortalecer vidas, sonhos e futuros”, ressalta ele.
Também serão debatidas estratégias de construção de pautas jornalísticas, narrativas para podcasts, comunicação digital e incidência política por meio da mídia indígena. O evento busca fortalecer o papel do comunicador indígena como agente estratégico na defesa dos territórios, na valorização das identidades culturais e na democratização da informação produzida pelos próprios povos originários.

A proposta reforça a comunicação como ferramenta de resistência, preservação cultural e mobilização coletiva diante dos desafios enfrentados pelos povos indígenas na Amazônia. A realização do encontro ocorre em um contexto de crescente protagonismo da comunicação indígena no Acre e no Brasil, especialmente após importantes espaços de diálogo e mobilização realizados no estado, como conferências, encontros territoriais e agendas voltadas à comunicação, clima, direitos humanos e participação juvenil indígena.
‘’É um ato muito importante onde nós coordenadores estamos mostrando a nossa força, principalmente como a força feminina de poderar, de lutar e mostrar também que nós mulheres, nós comunicadoras, podemos também mostrar um pouco da nossa realidade, do nosso território, da nossa cultura, dos nossos rezos”, define Matsiani Shanenawa co-fundadora e uma das coordenadores do Tetepawa Comunica.
“E principalmente a luta pelo nosso território e também a questão das mobilizações aonde nós vamos, porque não é fácil, nós mulheres sair do nosso território para ir para a mobilização, para fazer outra atividade, mas é esse o ponto focal de nós coordenadoras dentro do coletivo mostrar também que a pouco a pouco podemos construir, fazer o nosso legado”, ressalta ela.
E este empoderamento das vozes e olhares das mulheres indígenas agora é reconhecido com a indicação do documentário “Nawa o Desequilíbrio da Terra”, entre os finalistas do Concurso Dom Philips Bruno Pereira, que recebeu quase mil trabalhos de todo o país. O filme, que retrata os impactos da crise climática sobre o modo de vida dos povos Nawa e Nukini, de Mâncio Lima, foi dirigido por Niara Nukini.
A produção nasceu do primeiro projeto de fomento à comunicação comunitária executado pelo Varadouro com recursos do Fundo Casa Socioambiental. O objetivo da iniciativa foi fortalecer a produção audiovisual indígena como ferramenta de denúncia dos impactos das mudanças climáticas e de grandes projetos de infraestrutura sobre os territórios amazônicos, a soberania alimentar e os modos de vida tradicionais.
A parceria entre Varadouro e Tetepawa também representa uma aposta na comunicação territorial como instrumento de defesa dos direitos indígenas, preservação da memória coletiva e enfrentamento das ameaças que avançam sobre a floresta. Ao reunir comunicadores de diferentes povos e regiões do Acre, o projeto contribui para a construção de uma rede capaz de registrar, denunciar e compartilhar as realidades vividas nos territórios amazônicos, fortalecendo a autonomia comunicacional das comunidades indígenas.
Apoiadores institucionais
O evento conta com a parceria e apoio de organizações, coletivos e instituições comprometidas com os direitos dos povos indígenas e com o fortalecimento da comunicação comunitária, entre elas a Acosmo (Associação Comunitária Shanenawa da Morada Nova), Comissão Pró-Índígena do Acre (CPI-Acre), Instituto INU, Fephac (Federação do Povo Huni Kui do Acre), Jornal Varadouro e demais parceiros que somam esforços nessa construção coletiva.
O encontro representa um espaço de construção política, troca de saberes e fortalecimento das narrativas indígenas produzidas a partir dos territórios amazônicos



