Documentário indígena produzido com apoio do Varadouro está entre os cinco finalistas em concurso nacional

Fruto de uma rede de formação, colaboração e captação de recursos para fortalecer vozes indígenas, documentário do povo Nawa coloca o Varadouro entre os destaques da primeira edição do Prêmio Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo
dos varadouros de Manaus e Rio Branco
O documentário “Os Nawa e o Desequilíbrio da Terra”, dirigido pela comunicadora indígena Niara Nukini, está entre os cinco finalistas da primeira edição do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. O prêmio recebeu 920 inscrições de todo o Brasil, número considerado muito acima da expectativa inicial pela organização.
A indicação marca um feito inédito para o jornalismo socioambiental amazônico e para o próprio Varadouro, que concorreu ao prêmio com nove produtos, todos classificados. Pela primeira vez, uma produção realizada por uma comunicadora indígena, fruto de uma estratégia do veículo independente, de fortalecimento da comunicação comunitária nos territórios, alcança a etapa final de uma premiação nacional criada para reconhecer iniciativas comprometidas com a defesa da Amazônia, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.
“Estou muito feliz por ser finalista do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo. Essa conquista reforça a força da comunicação indígena e mostra que nossas histórias, saberes e realidades estão alcançando cada vez mais pessoas, fortalecendo a voz dos territórios por meio do audiovisual”, afirmou a co-fundadora do Coletivo Tetepawa Comunica, Niara Nukini, que é estudante de Antropologia na Universidade de Brasília (UnB), onde atualmente preside a Associação dos Acadêmicos Indígenas da UnB (AAIUNB). Niara atua ainda como vice-coordenadora da (Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (SITOKAORE).
O documentário concorre na Categoria 4, destinada a iniciativas de comunicação produzidas por integrantes de povos indígenas. A obra foi realizada por Niara Nukini, com participação de Kegila Costa Nawa nas filmagens, e integra a trilogia “Guardiões Sob Ameaça”, produzida em parceria com o Coletivo Tetepawa Comunica, rede formada por mais de 20 jovens comunicadores de 13 povos indígenas diferentes.
A produção nasceu do primeiro projeto de fomento à comunicação comunitária executado pelo Varadouro com recursos do Fundo Casa Socioambiental. O objetivo da iniciativa foi fortalecer a produção audiovisual indígena como ferramenta de denúncia dos impactos das mudanças climáticas e de grandes projetos de infraestrutura sobre os territórios amazônicos, a soberania alimentar e os modos de vida tradicionais.
Além de “Os Nawa e o Desequilíbrio da Terra”, os documentários “Os Puyanawa – O Renascimento da Memória” e “Os Noke Ko’í e o Preço da Energia”, produzidos a partir da mesma iniciativa, também foram classificados na premiação nacional.
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“Estou muito feliz em ver o trabalho do nosso Coletivo de Comunicação Indígena ganhar reconhecimento sendo um deles finalista da premiação. Como comunicador indígena da Amazônia, celebro essa conquista que fortalece a comunicação indígena e mostra a importância de contarmos nossas próprias histórias, a partir do nosso olhar e da nossa realidade”, afirmou Isaka Huni Kui, que é co-fundador do primeiro Coletivo de Comunicação Indígena do Acre e autor do documentário Os Noke Ko’í e o Preço da Energia.
Os documentários são fruto da iniciativa do Varadouro e do Coletivo Tetepawa em promover uma oficina de aperfeiçoamento para 20 jovens comunicadores indígenas em Cruzeiro do Sul, em novembro de 2024. O projeto contou com recursos previstos para a produção de conteúdo audiovisual sobre o modo de vida tradicional dos povos indígenas da Amazônia e sua relação com as mudanças climáticas e crimes ambientais.
“Sou grato à parceria com o Jornal Varadouro, que acreditou e apoiou esse trabalho que construímos juntos. Independentemente do resultado, já é uma grande conquista ter a oportunidade de mostrar nossa realidade, nossa narrativa e o trabalho da comunicação indígena para mais pessoas. Seguimos levando a voz dos nossos povos cada vez mais longe”, completou Isaka.
Resultado histórico
O resultado é considerado histórico pela equipe do Varadouro. Ao todo, o veículo inscreveu nove trabalhos no concurso e todos foram classificados ou alcançaram a fase final da seleção.
“O Varadouro estar entre os finalistas de um conceituado prêmio de jornalismo nacional, com quase mil trabalhos inscritos, é a prova de que todos os esforços para manter uma comunicação independente e alternativa valem a pena. Ter o documentário da Niara Nukini entre os finalistas demonstra que nosso compromisso não é só produzir uma comunicação desde a Amazônia e para a Amazônia, mas que a fazemos em conjunto com as populações tradicionais”, diz o jornalista Fábio Pontes, editor-executivo do Varadouro.

Na categoria de reportagem em texto, os trabalhos “Uma Seringueira de Pé”, “Amacro: uma zona de conflitos” e “Mobilidade que Demarca”, de Fábio Pontes; “‘Mães’ do primeiro Território de Uso Comum: mulheres do rio Manicoré resistem enquanto a destruição avança no Amazonas“, de Izabel Santos; e “Resistir para Existir – o aterro de Iranduba”, de Steffanie Schmidt, foram considerados classificados, ou seja, atenderam às prerrogativas do edital.
“Fico muito feliz com essa classificação, principalmente pela visibilidade que ela pode trazer à reportagem sobre a trajetória, a luta e a força das mulheres do Território de Uso Comum (TUC) do Rio Manicoré. Independentemente do resultado final, estar entre os trabalhos classificados já representa um importante reconhecimento das histórias que essas mulheres constroem diariamente, de sua resistência na defesa do território e da importância de ampliar a visibilidade das vozes femininas que lutam todos os dias pelo bem-estar das populações amazônidas e pela proteção dos recursos naturais da nossa região”, disse Izabel, que atua como editora de conteúdo e colunista do Varadouro.

Também foi classificada na categoria audiovisual a versão em documentário de “Resistir para Existir”, assinada por Steffanie Schmidt, Werica Lima e Juliana Pesqueira. A produção foi realizada a partir de projeto contemplado em edital da Abraji.

A reportagem “Em 5 anos, 63% das pautas da Comissão de Meio Ambiente do Amazonas são sobre pets; crise climática, 9%”, também de Steffanie Schmidt, publicada pela Rede Cidadã InfoAmazônia, iniciativa voltada ao fortalecimento do jornalismo socioambiental amazônico por meio da colaboração entre veículos locais e regionais, foi considerada apta dentro dos critérios do edital.
Para o Varadouro, o resultado vai além do reconhecimento editorial. Ele demonstra a importância de investir em redes de comunicação territorial, formação de jovens comunicadores e acesso direto de povos indígenas aos meios de produção de conteúdo, permitindo que as próprias comunidades contem suas histórias, registrem suas memórias e denunciem as ameaças que enfrentam.
“Acredito que o concurso cumpriu uma função muito importante: nos fazer acreditar. Todos nós que lidamos com o dia a dia do território, convivendo e sendo impactados com as mais diversas realidades, queremos que elas não sejam esquecidas, entendemos que nenhuma luta é vã. Para muitos, ver suas histórias, suas dores retratadas é uma forma de valorização, de esperança, de perceber que sua luta importa porque alguém ouviu e registrou para que outros a vejam e notem também. O concurso vem dar maior alcance e visibilidade a toda essa cadeia de apoio independente”, disse Steffanie Schmidt, editora e repórter do Varadouro.
Varadouro amplia alcance e fortalece audiência em 2026
O jornalismo produzido na Amazônia para contar histórias da Amazônia segue encontrando cada vez mais leitores. Entre janeiro e maio de 2026, o portal do Varadouro registrou mais de 11 mil usuários ativos, segundo dados do Google Analytics, consolidando uma trajetória de crescimento da audiência e ampliando o alcance de reportagens sobre direitos humanos, povos indígenas, meio ambiente, cultura e política na região amazônica.
No mesmo período, o site recebeu cerca de 10 mil novos usuários, demonstrando que o conteúdo produzido pelo Jornal das Selvas continua alcançando públicos para além de sua comunidade tradicional de leitores. Ao longo dos cinco primeiros meses do ano, foram contabilizados mais de 62 mil eventos de interação na plataforma, incluindo visualizações de páginas, navegação entre reportagens e outras formas de engajamento dos leitores.
O crescimento também se reflete nas redes sociais. Entre janeiro e maio, o perfil do Varadouro no Instagram ultrapassou a marca de 400 mil visualizações, ampliando a circulação das reportagens e fortalecendo a presença do veículo em diferentes plataformas digitais.
Reportagens que mobilizam leitores
Entre os conteúdos mais acessados do período estão reportagens e artigos ligados à defesa da democracia, à liberdade de imprensa, aos direitos dos povos indígenas e às lutas sociais da Amazônia. Temas que historicamente fazem parte da linha editorial do Varadouro e ajudam a explicar a conexão construída com seus leitores.
As estatísticas mostram ainda que muitos acessos chegam diretamente ao portal, sinalizando o fortalecimento da marca Varadouro junto ao público. Além disso, o Google aparece como uma das principais portas de entrada para novos leitores, indicando que as reportagens produzidas pelo jornal vêm conquistando relevância nos mecanismos de busca.
Jornalismo amazônico com alcance nacional
Os dados demonstram que o Varadouro tem conseguido ampliar sua presença digital mesmo atuando fora dos grandes centros de mídia do país. Produzido a partir da Amazônia acreana, em Rio Branco, o jornal alcança leitores em diferentes regiões do Brasil e do exterior, reafirmando a importância do jornalismo independente na cobertura de temas frequentemente invisibilizados pela grande imprensa.
Mais do que números, os resultados refletem o interesse crescente por reportagens aprofundadas, investigações e narrativas que colocam a floresta e seus povos no centro do debate público.
O desempenho registrado nos primeiros cinco meses de 2026 também reforça o papel da comunidade de leitores, colaboradores, apoiadores e parceiros que acompanham o trabalho do Varadouro.
Em um cenário de desafios para o jornalismo independente, cada acesso, compartilhamento, comentário e leitura ajudam a sustentar um projeto editorial comprometido com a defesa da Amazônia, dos direitos humanos e da democracia.
Os números da audiência e o reconhecimento de nosso trabalho em prêmios nacionais de jornalismo mostram que essa rede continua crescendo – e que estamos caminhando pelo varadouros certos.




