Operação do MP de Rondônia prende líder de grupo foragido após lavagem de dinheiro com fazendas e 1,5 mil cabeças de gado

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Montezuma Cruz
dos varadouros de PortoVelho

O Ministério Público Estadual de Rondônia informou terça-feira (26) que Gesulino César Travagine de Castro foi preso no município de Buritis. Condenado a 35 anos de prisão por assassinatos de camponeses, ele liderava uma empresa de fachada que lavou R$ 48 milhões em fazendas e gado. Até então Gesulino estava na condição de foragido da Justiça por crimes de pistolagem cometidos no interior do estado.

Antes de ser preso, ele não fazia cerimônia de ser visto em público ou aparecer em redes sociais. Numa destas postagens, aparece ao lado do senador bolsonarista Marcos Rogério (PL), agora pré-candidato ao governo de Rondônia.

Líderes camponeses de acampamentos nos municípios de Ariquemes e Machadinho D’Oeste o temiam, pois quando seus comandados circulavam pela região, geralmente ocorriam ataques a bala nos arredores e dentro das áreas ocupadas.

Gesulino possuía um mandado de prisão pedido pela Delegacia Especializada na Repressão de Crimes contra a Vida, de Ariquemes, a duzentos quilômetros da capital, Porto Velho.

Gesulino (e), com o senador Marcos Rogério (PL), que atualmente é pré-candidato ao governo estadual (Foto AND)



Durante três anos ele era procurado, e até visto em alguns lugares, mas ganhava costa quente da Polícia Militar. Quando teve mandado de prisão decretado pela Justiça, e antes de desaparecer, ele se queixava da mídia: “Tudo o que acontece (de ruim), vocês dizem que a culpa é minha.” Seu desabafo foi pubicado, e ao mesmo tempo noticiado o envolvimento dele com membros do Clube de Atiradores e Colecionadores (CAC), que se tornou atuante na região do Jamari.

Quando a PM prendeu dois confessos integrantes do CAC, em 2025, eles disseram que usavam armas pesadas “para caçar porcos do mato.”

Chacina de Buritis

Gesulino foi apontado como mandante da Chacina de Buritis, ocorrida em abril de 2012 na Linha (ramal) C-34, Rio Alto, quando um grupo de guaxebas (pistoleiros) matou seis pessoas em uma emboscada Três anos após a chacina, em 2015, Gesulino foi submetido a julgamento do Júri na comarca de Buritis, porém várias testemunhas à época não compareceram no julgamento por medo do acusado.

Outros jurados, temendo represálias, absolveram o infrator. Posto em liberdade logo em seguida, assim possibilitou contrariar todas as provas do processo. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu o desaforamento do caso, e um novo julgamento em Ariquemes só foi ocorrer em 2023. A mãe de Gesulino, Meire Rosângela Travagine Castro, tinha claro envolvimento na chacina e foi indiciada no processo como a fornecedora dos armamentos, mas foi absolvida.

Dessa vez, Gesulino fora condenado pelos crimes, mas evadiu-se e só ontem (26) o capturaram durante a operação denominada “Labirinto de Bronze” contra uma milícia privada especializada em lavagem de dinheiro.

Em 2025, a Polícia Civil de Rondônia divulgou foto de Gesulino, pedindo denúncia sobre seu paradeiro



Fazendas e bois

O MP constatou que o grupo usava empresas e propriedades rurais como fachada para movimentar recursos ilegais. Para chegar a Gesulino, de quem já tinham pistas, agentes do MP utilizaram o mandado de prisão. Gesulino estava condenado por homicídios, incluindo a chacina de Buritis. Segundo o MP, ele já havia conseguido fugir de diversas operações, ainda assim, seus comparsas mantinham o esquema praticamente às vistas de policiais e de autoridades.

A operação desta terça-feira cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços, propriedades rurais e empresas ligadas ao grupo de Gesulino, em Porto Velho, Ariquemes e Cujubim. O grupo utilizava empresas e pessoas de fachada para esconder valores de origem ilícita, entre as quais, uma empresa de terraplanagem.

A operação do MP bloqueou e apreendeu bens avaliados em R$ 48 milhões, incluindo dinheiro em contas bancárias, imóveis, veículos, máquinas e mais de 1,5 mil cabeças de gado localizadas em fazendas.
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Foto em destaque no texto: Facebook de Buritis

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