
Após apresentar estabilidade em seu nível ao longo da sexta, o manancial voltou a apresentar elevação nas primeiras horas deste sábado, alcançando o volume de 14,15m. A estimativa é a de que mais de sete mil famílias – ou quase 30 mil pessoas – já foram afetadas pela alagação do rio Juruá nas zonas urbana e rural.
dos varadouros de Cruzeiro do Sul
A elevação de nível do rio Juruá continua pressionando comunidades urbanas e ribeirinhas em Cruzeiro do Sul. Essa é a terceira vez em 2026 que o manancial ultrapassa a cota de transbordamento – que é de 13 metros – na segunda maior cidade acreana. A alagação é consequência direta das intensas e recorrentes chuvas que caem sobre o Acre nestes dias de encerramento do “inverno amazônico”.
De acordo com dados da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, o rio Juruá apresentou estabilidade em seu nível entre as duas leituras feitas ao longo de sexta-feira, 3 de abril. Às 7 horas da manhã, ele estava em 14,10m – mesma cota registrada às 18 horas. Já na aferição das primeiras horas deste sábado, 4, o rio Juruá voltou a apresentar aumento de cota: 14,15m.
As previsões para os próximos dias apontam para uma precipitação acima do normal em partes das bacias do Juruá, do Purus e do Baixo Acre.
A elevação do Juruá em Cruzeiro do Sul também é resultado das vazantes nas partes mais altas, como nos municípios de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. O último boletim emitido pelo Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) é do dia primeiro de abril, mas não apresenta os dados de leitura do nível nestas duas cidades. Aliás, já há algum tempo o governo falha nos monitoramentos no Alto Juruá.
Em Cruzeiro do Sul, o rio está a 21 cm do volume mais alto já registrado na série histórica da cidade, que é de 14,36m, em 2021. A segunda maior alagação aconteceu em 2017, com o nível de 14,24m.
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Todavia, o atual nível já é suficiente para provocar transbordamentos em áreas historicamente vulneráveis e mais baixas de Cruzeiro do Sul, afetando diretamente milhares de pessoas. De acordo com a Defesa Civil, ao menos 624 famílias estão desalojadas – ou seja, que saíram de casa por conta própria e estão acomodadas em casas de parentes. Outras 50 foram retiradas com o apoio dos órgãos públicos, e levadas para abrigos em escolas.
A Prefeitura de Cruzeiro de Sul estima em mais de sete mil famílias – ou quase 30 mil pessoas – afetadas pela alagação do rio Juruá nas zonas urbana e rural. Para as comunidades ribeirinhas, um dos principais e mais graves impactos é a perda dos roçados de macaxeira (sua principal fonte de subsistência) e pequenas criações.
Além do Juruá, seus afluentes Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso também estão em níveis acima do normal, afetando as comunidades às suas margens, como as vilas Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Já na cidade, 186 famílias que decidiram permanecer dentro de casa, mesmo com a água próxima, estão sem energia. O corte no fornecimento é uma medida de segurança para evitar tragédias. Entre os bairros mais afetados estão o Miritizal, Lagoa, Centro, Remanso e no Ramal Boca do Moa.
Ano passado, quando Cruzeiro do Sul também foi atingida por uma alagação, Varadouro publicou reportagem mostrando como os moradores dos bairros mais vulneráveis fizeram suas próprias adaptações aos movimentos de subida e descida do rio, levando para a cidade os conhecimentos tradicionais de uma vida ribeirinha.



