
Tácila Matos
dos varadouros de Rio Branco
O Grupo dos Dez, companhia mineira de teatro negro com trajetória de 15 anos de existência, desembarca na capital acreana neste mês de janeiro com a realização de oficina e apresentações teatrais, uma delas o espetáculo Madame Satã, peça adaptada ao cinema (2002) de autoria do aclamado diretor e dramaturgo João das Neves, homenageado pelo grupo durante a temporada que possui profunda conexão com o Acre, cuja trajetória também passa pela Amazônia acreana.
Além de Rio Branco, Manaus será uma das sete cidades por onde a turnê passará. A circulação segue ainda por Salvador, Rio de Janeiro e Fortaleza.
A companhia inicia sua passagem com a oficina “Ação Musical Dramatúrgica”, em 28 de janeiro, a partir das 14h. Nos dias 29 e 30, às 19:30, apresenta a peça “Dandara para todas as mulheres” e nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro a peça “Madame Satã”, eventos sediados no Teatro João das Neves, localizado na Usina de Arte João Donato.
João das Neves e o teatro de Transformação Social
Rio Branco será a primeira cidade a receber O Grupo dos Dez. Segundo a organização, a cidade, assim como as outras, foram escolhidas para homenagear João das Neves. Em 1980, o artista se mudou para o Acre para pesquisar questões ambientais e indígenas locais, e dessa forma produziu as peças “Tributo a Chico Mendes” (1988) e “Yuraiá – o rio do nosso corpo” (1990), este último baseado na cultura do povo Huni Kuĩ.
Leia mais sobre o dramaturgo e sua relação com a Amazônia em texto de João Veras
Seu trabalho mais conhecido, Madame Satã, o único de seus projetos ainda em cartaz, representa o tipo de impacto que o artista buscava no teatro. A obra, que aborda a vida do boêmio carioca João Francisco dos Santos, fala de temas como racismo e homofobia em contexto de marginalidade social.
Projeto de valorização do Teatro
A iniciativa é aprovada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com apresentação do Ministério da Cultura e da Petrobras. Através desses recursos, o grupo procurou valorizar mais de 200 profissionais contratados para produzir as atividades, em sua maioria pessoas LGBTQIAPN+, negras e periféricas.
Para a artista e integrante da equipe criativa, Bia Nogueira, a turnê, além de levar o teatro a diferentes realidades, também será uma oportunidade de se conectar com diferentes vozes pelo Brasil.
“O Grupo dos Dez sempre foi mais do que espetáculos: é sobre abrir espaços de encontro, escuta e pertencimento. Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o Brasil em toda a sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas”, afirma ela.
Para mais informações acesse o perfil de instagram da companhia Grupo dos Dez.
ACESSE a nossa editoria Empate Cultural



