
A apresentação de Lara na capital catarinense acontece ao mesmo tempo em que a Floresta Amazônica está no centro dos debates globais sobre as mudanças climáticas, com a realização da COP-30, em Belém. Show expõe as questões urgentes sobre a Amazônia e suas populações.
João Maurício da Rosa
dos varadouros de Rio Branco
A cantora acreana Lara Pontes desembarcou neste começo de novembro em Florianópolis, em Santa Catarina, onde se apresenta na Concha Acústica do Jurerê, no dia 15 de novembro. Desta vez, porém, ela sobe ao palco sem os oito músicos que a acompanham no espetáculo Zum Zum da Amazônia — projeto elogiado por público e crítica..
“A ideia era levar Zum Zum da Amazônia, mas a banda é muito grande e não obtivemos apoio para o transporte. Assim sendo, vou fazer uma experiência solo, com um repertório de samba, bossa nova e sons regionais”, esclareceu Lara Pontes. (Siga seu perfil no Instagram)
A apresentação de Lara na capital catarinense acontece ao mesmo tempo em que a Floresta Amazônica está no centro dos debates globais sobre as mudanças climáticas, com a realização da Conferência do Clima da ONU, a COP-30, em Belém.
E as músicas interpretadas pela artista nascida nas terras de Chico Mendes trazem, exatamente, a mensagem sobre a importância de se manter a Amazônia preservada e de respeito aos modos tradicionais das populações da floresta. São canções que denunciam a destruição do meio ambiente, com a derrubada da mata e as queimadas criminosas.
Ano após ano, a região amazônica é atingida pelos eventos climáticos extremos, por meio das grandes enchentes ou secas extremas. O espetáculo Zum Zum da Amazônia é uma forma de expor essas crises e despertar no público a construção de uma consciência em defesa da floresta através da música.
Além disso, Lara Pontes também fará a interpretação do melhor da música brasileira com sambas e bossa nova.
Conheça mais sobre o espetáculo Zum Zum da Amazônia
A oportunidade de tocar para o público internacional de Florianópolis e expandir o alcance da cultura acreana surgiu em abril passado, durante uma visita de férias à ilha. Com sua habitual determinação e o poderoso argumento, Lara convenceu a administradora da Concha, Salete Pereira, a incluí-la na agenda — em julho ela recebeu a carta-convite agendando a apresentação para o dia do feriado da Proclamação da República.
“Será um grande diferencial para o sucesso do nosso espaço. Lara tem qualidade e reconhecimento por seu espetáculo musical, que mistura raízes, natureza e identidade em uma travessia sonora emocionante”, destaca a carta-convite assinada por Salete, representante da JIAH (Jurerê Internacional Administração Hoteleira), empresa responsável também pelos hotéis IL Campanario, Jurerê Beach Village e pelo shopping a céu aberto Jurerê Open, todos do grupo Habitasul.
Consciente da importância deste evento, Lara trata a carta-convite como um passaporte de esperança. “Com apoio ou sem apoio, eu vou fazer esse show. Não posso perder essa oportunidade. É um palco de grande visibilidade. Se eu desistir agora, dificilmente terei outra chance, porque se dermos atrás após tanta articulação, ficaremos sem credibilidade. Então, eu vou — de qualquer forma!”, afirma.

Da igreja ao palco
Iniciada no canto em um coral de igreja, Lara aprimorou sua voz durante o período em que estudou no Rio de Janeiro e em Maringá (PR). De volta ao Acre, mergulhou em uma pesquisa sobre as sonoridades regionais e criou o projeto “Zum Zum da Mata”, que foi agraciado pela Lei Aldir Blanc e circulou pelo Acre em 2021.
Agora, rebatizado como “Rios Voadores do Norte ao Sul”, Lara vislumbra a primeira oportunidade de levar o projeto para além das divisas do Acre, revelando aos sulistas a música amazônica, com arranjos que mesclam raízes, floresta e experimentação.
Lara lamenta a ausência dos músicos que somaram para formular este som único do projeto. Mas, mesmo sem a banda completa, Lara garante que levar ao público de Florianópolis a mesma força e emoção que movem este trabalho: a celebração das águas, das florestas e das vozes da Amazônia.
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