O GRANDE JULGAMENTO

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Após quase 4 anos, Gladson Cameli tem data marcada para sentar no banco dos réus




STJ marcou para o dia 19 de novembro julgamento do governador acreano. Em 2023, PGR denunciou Gladson e outras 12 pessoas por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação. Processo é resultado de operação de 2021 que revelou um dos maiores esquemas de corrupção do Acre; governador deu “graças a Deus” por julgamento marcado, afirmando que provará inocência.

Dos varadouros de Rio Branco

Passados quase quatro anos desde a Operação Ptolomeu, deflagrada em 16 de dezembro de 2021 pela Polícia Federal, finalmente sentará no banco dos réus o governador do Acre, Gladson de Lima Cameli (PP), principal denunciado de chefiar uma organização criminosa suspeita de desviar mais de 800 milhões de reais dos cofres públicos. Na tarde de terça-feira, 28 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para o dia 19 de novembro o julgamento do governador pela Corte Especial.

A depender do resultado, a decisão a ser proferida pode ter impacto direto no tabuleiro político-eleitoral do Acre de 2026. Se condenado pelo colegiado, Gladson Cameli será enquadrado na lei da ficha-limpa, ficando, portanto, inelegível. Mesmo envolvido em denúncias de corrupção, o seu nome aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado.

Desde o início das investigações, Gladson Cameli nega todas as acusações e diz que provará sua inocência. A sua defesa usou de todos os recursos disponíveis para adiar o julgamento. Em novembro de 2023, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o governador e outras doze pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção nas modalidades ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação.

Por conta da complexidade do inquérito policial envolvendo a operação Ptolomeu, o processo precisou ser desmembrado em diferentes partes. O caso em que ele será julgado no próximo dia 19 de novembro são de fraudes a licitações que envolvem quase R$ 12 milhões. À época, a PGR chegou a pedir o afastamento de Cameli do cargo, o que foi negado pela ministra Nancy Andrighi, relatora do processo no STJ.

Além de chefe de organização criminosa, o governador acreano responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva. Em novembro do ano passado, o gestor prestou depoimento à ministra na condição de réu, condição esta aceita por unanimidade, em maio de 2024, pela Corte Especial que o julga. Na ocasião, ele voltou a negar todas acusações, afirmando ser inoente.

A Polícia Federal classificou o governador acreano como o suposto chefe de uma organização criminosa montada no coração do poder político local para desviar mais de R$ 800 milhões. As investigações da operação Ptolomeu foram iniciadas ainda em 2019, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou “movimentações atípicas” nas contas bancárias do governador e de seus parentes – que também foram denunciados.

No período de um ano, já ocupando o Palácio Rio Branco, depósitos em dinheiro vivo numa das contas de Cameli superaram o total repassado pela empresa de seu pai, onde ele tem sociedade e alega vir a maior parte de seus rendimentos; Muitos dos valores eram depositados em quantias baixas numa tentativa de não chamar a atenção das autoridades.

O caso é apontado como um dos maiores e mais graves escândalos de corrupção da história política do Acre. Quando da deflagração da operação, mais de 300 agentes da PF realizaram uma verdadeira devassa em cidades como Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Manaus e Brasília. A casa do governador esteve entre os alvos da operação. Ele teve bens bloqueados e até hoje cumpre medidas cautelares, como a retenção do passaporte.

Uma das imagens mais emblemáticas e chocantes naquela ocasião foi a ocupação das rampas de acesso ao Palácio Rio Branco ocupadas por viaturas da Polícia Federal – algo inédito na história política acreana. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do Poder Executivo.


Entenda mais sobre este escândalo político na série de reportagens especiais intitulada Esquemão Azul, produzidas pelos jornalistas Fabio Pontes e Leonildo Rosas, com base no inquérito da Polícia Federal.

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