O Acre existe e eu também: uma crônica pessoal do audiovisual acreano

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Silvio Margarido em sua produtora durante entrevista para a professora Selda Vale, da Universidade Federal do Amazonas- UFAM (Foto: Allen Ferraz)



Por Silvio Margarido

Com meus 65 anos de idade e mais de três décadas de mergulho profundo no universo do audiovisual, confesso que a vida me ensinou algumas verdades que, por vezes, são mais ácidas que um limão azedo. Verdades sobre a arte, sobre o reconhecimento e, principalmente, sobre a peculiaridade de se fazer cinema em um lugar como o Acre. Ah, o Acre! Terra de mitos e lendas, onde até o audiovisual parece flutuar entre o real e o imaginário, numa dança que, para mim, já virou rotina e ficando cada dia mais chata.

Minha jornada começou em 1980 com o Super 8 no grupo Imagem, um subgrupo do antigo Centro de Pesquisa e Criatividade do Teatro Horta, mas somente em 1989, quando o mundo ainda engatinhava no VHS, eu estava lá, com minha câmera em punho, pronto para contar histórias. Meu primeiro documentário, As Viúvas do Carvão, foi um desses marcos que a gente guarda com carinho. Premiado, reconhecido, ele me deu a ilusão de que o caminho seria, se não fácil, ao menos pavimentado com algum senso de propósito e valor. Mal sabia eu que, por aqui, o asfalto ainda é artigo de luxo, e a trilha é mais para quem gosta de aventura e, digamos, de uma boa dose de masoquismo.

De percussionista e produtor musical, a transição para o audiovisual foi natural, um chamado irresistível para dar voz e imagem a quem, muitas vezes, era invisível. Devo essa jornada aos amigos Mário da Silva e Dedê Maia, ambos já falecidos. E assim, ao longo dos anos, acumulei mais de 30 produções, entre ficções que ousaram sonhar e documentários que desnudam a realidade. Cada filme, uma batalha. Não contra a complexidade da linguagem cinematográfica, que eu domino, mas contra a inércia, a miopia e, por que não dizer, a preguiça intelectual que, por vezes, parece pairar sobre os ares acreanos. É como ser um maestro com uma orquestra de músicos talentosos, mas que insistem em tocar cada um a sua própria música.

Além de produtor, roteirista, diretor e editor, fui professor, mentor, abri portas e janelas para jovens talentos, inclusive indígenas, na esperança de que a chama da arte se espalhasse. Somente depois de muita batalha tive um filme financiado com uma quantidade razoável de recursos, em 2006  O Mergulho, que, para a surpresa de muitos (ou não), foi vencedor de um edital nacional da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura através do programa Doc TV.

Tudo isso na tentativa de democratizar o conhecimento, de semear a paixão. Mas, cá entre nós, parece que a paixão, por aqui, é vista com desconfiança, e o conhecimento, com uma pontinha de inveja. Foi com O Mergulho também que tive minha experiência mais significativa com colonizadores culturais onde meu conhecimento parecia não importar, mesmo para os meus conterrâneos, a velha história do profeta em sua própria terra, que, por mais que clame, raramente é ouvido. E quando é, a mensagem é distorcida, filtrada pela conveniência e pela inação.

O que me traz a essa reflexão, com a acidez que me é peculiar, é a constatação de que, apesar de todo o potencial, o audiovisual acreano parece viver em um estado de letargia autoimposta. Falam em ‘demanda reprimida por técnicos e artistas qualificados’, e eu, que formei tantos, só consigo pensar: ‘reprimida por quem?’. A falta de continuidade nos programas de formação, a ausência de cursos estruturados, a carência de profissionais em áreas básicas como direção de fotografia, som, edição… tudo isso não é um acidente. É uma escolha. Uma escolha que perpetua um ciclo vicioso de amadorismo, onde o ‘jeitinho brasileiro’ se torna a regra, e a excelência, uma exceção. E, é claro, com o dedo podre dos tão bem recebidos e aclamados colonizadores.

Lembro-me de quando se falava em ‘escassez de equipamentos modernos’. Uma escassez que, para mim, sempre soou mais como uma desculpa esfarrapada do que como uma realidade intransponível. Com minhas produções independentes, muitas vezes tive que fazer mágica com o que tinha, ou, na maioria das vezes, com o que não tinha. É a arte da gambiarra elevada à enésima potência, mas sem o charme da improvisação genial. É a precariedade como padrão, e não como um desafio a ser superado. E enquanto isso, o Cine Teatro Recreio, nosso único bastião da exibição pública, parece um paciente em coma, esperando por um milagre que nunca chega, talvez o seu futuro esteja mais próximo dos  barrancos do rio Acre do que de qualquer projeto conjunto de gestão. É como ter um carro antigo de luxo na garagem, mas sem gasolina para rodar.  É viver nas sombras.

E por falar em sombras, não posso deixar de lado a questão do preconceito. Sim, e no meu caso, mesmo com toda a minha bagagem, com toda a minha experiência, ainda sinto o peso do preconceito de origem e racial. É a velha história do ‘quem é você para falar de cinema no Acre?’, ou ‘você não entende a nossa realidade’, ‘pare de usar a Inteligência Artificial para esconder suas inabilidades’,  ‘isso não é pra você’, ‘ você está fora da realidade’. Uma realidade que, por sinal, eu retratei em mais de 30 produções, desde os primórdios até os dias atuais. Eu não apenas entendo a realidade acreana, eu a vivi, a documentei, a transformei em arte.

O que me resta, depois de tantos anos, é a certeza de que o audiovisual acreano não precisa de vitimismo, mas sim de atitude. Não precisa de promessas vazias, mas sim de ações concretas. E, acima de tudo, precisa de pessoas que, como eu, acreditem no potencial dessa terra, mas que não tenham medo de apontar os erros, de criticar o que precisa ser criticado, e de lutar por um cinema de alta qualidade que, um dia, quem sabe, deixará de ser uma semente e se tornará uma floresta. Uma floresta de filmes, de talentos, e de reconhecimento. Até lá, continuarei a minha peleja, com a câmera na mão e a ironia na ponta da língua. Porque, no final das contas, o cinema, para mim, não é apenas uma profissão. É uma missão. E eu não desisto de uma missão. Embora alguns queiram e lutem para que isso aconteça. Que este artigo, com sua dose de acidez e realidade, sirva não apenas como um desabafo, mas como um catalisador para a reflexão e, quem sabe, para a ação. Que os responsáveis pelo audiovisual no Acre, ao invés de se ofenderem, usem estas palavras como um espelho, e vejam nele a imagem de um futuro que ainda pode ser construído, com menos burocracia e, acima de tudo, com um respeito genuíno por aqueles que, como eu, dedicam suas vidas à arte de contar histórias. Não gostaria de citar nomes, mas é gritante o preconceito que o mais antigo grupo de cinema do Acre sofre. O Acre merece um cinema à sua altura. E eu, com meus 65 anos e minha câmera na mão, ainda acredito nisso.

Minha formação em cinema, com suas diversas pós-graduações e cursos livres, não foi um capricho acadêmico, mas uma busca incessante por ferramentas para lapidar a visão que eu já trazia na alma. Mais de 30 produções audiovisuais, entre ficções que ousaram sonhar e documentários que desnudam a realidade, são o testemunho de uma vida dedicada a essa arte. As Viúvas do Carvão, lá em 1989, foi o pontapé inicial, um prêmio que, na época, me fez acreditar que o Acre era um terreno fértil para a sétima arte. Que ingenuidade a minha! O tempo me ensinou que, por aqui, a fertilidade é mais para a floresta do que para as ideias, e o terreno, por vezes, é mais movediço do que sólido. Atuei no Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour, mergulhando em arquivos e memórias para resgatar a identidade do estado, realizei documentários sobre festas tradicionais e conflitos fundiários, sempre com o compromisso de dar voz aos invisíveis.

E foi nesse mergulho que percebi que a invisibilidade não era exclusividade dos temas que eu abordava, mas também uma condição imposta a quem ousava pensar fora da caixa, a quem não se encaixava nos padrões estabelecidos. O preconceito de origem e racial, que me acompanha como uma sombra, é a prova cabal de que, mesmo com um currículo que faria inveja a muitos, existam filtros para o reconhecimento. Valorizam a eloquência, o glamour e o comportamento vira-latas de que o melhor vem de fora. É como ser um diamante bruto em uma terra que só valoriza o cascalho.

Minha produção independente, a partir de 2015 otimizada através da minha produtora Mil Acre Filmes –  SM&AA Produção Audiovisual, foi a minha trincheira. Pude criar obras como A Peleja de Hélio Melo com o Mapinguari do Antimary, Morta a morta, o Mergulho,   a série Mauani – O Silêncio de Maria, Correria e A Trégua da Flauta, filmes que, para a minha satisfação (e para o desespero e inveja de alguns), circularam por aí, em mostras e festivais, colhendo frutos que, ironicamente, não brotavam no solo acreano.

É a velha história do santo de casa que não faz milagre, ou, no nosso caso, do cineasta que faz milagre, mas que ninguém vê. Entre as diversas atividades de formação que participei, fui monitor  no Curso de Cinema e Vídeo da Usina de Artes João Donato junto com o cineasta Maurice Capovilla, na esperança de que as novas gerações não repetissem os mesmos erros e se tornassem o nosso orgulho no futuro. Compartilhei conhecimento, abrindo processos criativos, incentivei a inclusão. Em todos os meus filmes a grande maioria de técnicos e artistas são locais. Mas a realidade, teimosa que só ela, insiste em mostrar que a formação, por aqui, é um luxo, não uma prioridade. Falam em ‘demanda reprimida por técnicos e artistas qualificados’, mas o que vejo é uma ‘oferta reprimida de oportunidades’. É como ter uma fonte de água cristalina, mas proibir o acesso a ela, preferindo beber água barrenta ou, na maioria das vezes, comparar água de fora.

Filme de Silvio Margarido produzido de forma independente produtora pela Mil Acre Filmes –  SM&AA Produção Audiovisual

Agora, permitam-me virar a câmera para o cenário que me cerca. em um documento que estou elaborando ao qual estou dando o nome de ‘Diagnóstico e Plano Setorial do Audiovisual no Estado do Acre’, é um documento que, em sua essência, é um atestado de boas intenções, mas que, infelizmente, na prática, revela um abismo entre o discurso e a realidade. Breve muitos terão acesso a este documento. Falam em ‘consolidação’ do setor, mas eu vejo uma consolidação de problemas. A Lei Paulo Gustavo, com seus milhões injetados, foi um sopro de esperança, mas, como todo sopro, pode se dissipar no ar, sem deixar rastros duradouros. O dinheiro, por si só, não faz milagre se não houver planejamento, gestão e, principalmente, visão. Além disso, uma boa quantidade de recursos foi pelo ralo ao seguir uma lógica paternalista de distribuição democrática de recursos.

A ‘formação deficitária’ é um eufemismo para o descaso. Como esperar um cinema de alta qualidade se não há investimento contínuo na capacitação?  As oficinas esporádicas, os cursos que começam e não terminam, a carência de profissionais em áreas técnicas essenciais… tudo isso é um reflexo de uma mentalidade que prioriza o paliativo em detrimento do estrutural. E o resultado é um ciclo vicioso de amadorismo, onde a mediocridade se torna a norma, e a excelência, uma aberração. Pouco se lê, pouco se assiste filmes, nada se discute. O mais importante é o próximo edital, as migalhas que caem no submundo da arte local com um Fundo Estadual de Cultura de 3 milhões, enquanto o governo gasta 33 milhões com artistas sertanejos em uma feira agropecuária. 

E a infraestrutura? Ah, a infraestrutura! A ‘escassez de equipamentos modernos’ é um lamento constante, mas que, para mim, soa como uma desculpa para a inação. Onde estão os equipamentos da Usina de Artes João Donato? e os da falecida Associação de Documentaristas e Curta metragistas. Enquanto isso, o Cine Teatro Recreio, Filmoteca Acreana, entre outros, nossos poucos espaços de exibição dignos, vivem de altos e baixos, como um paciente em UTI. 

O que me indigna, e me faz usar o sarcasmo como arma, é ver o potencial imenso do Acre ser desperdiçado por questões que poderiam ser facilmente superadas. A riqueza cultural, a diversidade de histórias, a identidade amazônica… tudo isso é um manancial inesgotável para o cinema. Mas, para que essa semente vingue, é preciso mais do que boas intenções. É preciso atitude, planejamento, investimento e, acima de tudo, uma mudança de mentalidade. Nunca foi tão urgente a estruturação de um plano amplo de desenvolvimento do audiovisual local. Ao invés disso os grupos, em bolhas, perdem tempo lambendo seus umbigos ou falando mal uns dos outros.

O preconceito, velado ou explícito, é a pedra no sapato de quem ousa ser diferente, de quem não se encaixa nos padrões. É a prova de que, mesmo com todo o talento e dedicação, a luta por um espaço justo e por reconhecimento é uma batalha diária. Mas não me calo. Não me curvo. Continuo a produzir, a criar, a lutar por um cinema que seja espelho da nossa realidade, mas que também seja janela para o mundo.

Minha história, com seus mais de 30 anos de dedicação, é um microcosmo do que poderia ser o audiovisual acreano: rico em potencial, mas constantemente tolhido por forças que parecem invisíveis para alguns, mas que para mim são tão palpáveis quanto a película de um filme.

Que este artigo, com sua dose de acidez e realidade, sirva não apenas como um desabafo, mas como um catalisador para a reflexão e, quem sabe, para a ação. Que os responsáveis pelo audiovisual no Acre, ao invés de se ofenderem, me sinto mais ofendido hoje fazendo parte deste setor, usem estas palavras como um espelho, e vejam nele a imagem de um futuro que ainda pode ser construído, com menos burocracia e, acima de tudo, com um respeito genuíno por aqueles que dedicam suas vidas à arte de contar histórias.

Minha formação, que inclui um Bacharelado em Comunicação Social com foco em Cinema e Mídias Digitais, além de uma miríade de cursos livres e pós-graduação em andamento, já estou no meu terceiro curso, não é um mero adorno no currículo. É a prova de uma sede insaciável por conhecimento, uma busca incessante por aprimoramentos que, infelizmente, nem sempre encontram eco nas estruturas locais, pelo contrário, às vezes servem de escárnio. Enquanto eu me aprofundava em Linguagem Audiovisual, Edição de Vídeo, Roteiro e Produção Criativa, a realidade do Acre parecia insistir em um ritmo próprio, alheio às tendências e às necessidades de um mercado em constante evolução. E essa desconexão entre o que se busca e o que se oferece é um dos grandes calcanhares de Aquiles do audiovisual acreano. Fala-se em ‘programas contínuos de formação e capacitação’, mas a prática mostra uma série de iniciativas pontuais, desarticuladas, que não conseguem construir uma base sólida de profissionais. E quem paga o pato são os jovens talentos, que, sem perspectivas de desenvolvimento, acabam buscando outros horizontes, levando consigo o potencial que poderia florescer aqui e uma enorme frustração. 



Mesmo que minha atuação como produtor e pesquisador no Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour me deu uma visão privilegiada da riqueza cultural do Acre. Documentários como São Sebastião de Xapuri e Pirapora não foram apenas filmes, mas mergulhos profundos na alma acreana, revelando histórias de resistência, de fé e de luta. Mas, por vezes, sinto que essa riqueza é tratada como um mero pano de fundo, um cartão postal para atrair olhares externos, sem que haja um investimento real na sua valorização e difusão interna. 

E a tal da ‘Film Commission’? Ah, essa é a piada pronta. Uma ‘Film Commission informal’, dizem. Informal? No Acre, até a burocracia é informal, o que dirá uma entidade que deveria atrair investimentos e produções internacionais. A experiência com uma gigante do streaming, que veio aqui e fez seu trabalho, é citada como um exemplo de potencial. Mas, convenhamos, uma andorinha só não faz verão, e uma produção pontual não apaga a realidade de um setor que clama por organização, por estrutura, por um mínimo de profissionalismo. É como ter um tesouro enterrado no quintal, mas não ter a pá para desenterrá-lo, ou, pior, não saber que ele está lá. E essa falta de visão estratégica se reflete em diversas áreas. A ‘Film Commission’, por exemplo, é um tema recorrente nos discursos, mas uma entidade que, na prática, parece existir apenas no plano das intenções. A experiência com a Disney Plus, embora positiva, foi um evento isolado, um lampejo que não se transformou em uma política contínua de atração de produções. É como ter um grande potencial turístico, mas não investir em infraestrutura para receber os visitantes. O resultado é a perda de oportunidades, a estagnação, a invisibilidade. A ‘Film Commission informal’ é a cereja do bolo da ineficiência. Uma entidade que deveria atrair investimentos e produções, mas que existe apenas no plano das ideias. A visita de uma gigante do streaming foi um lampejo, um vislumbre do que poderia ser, mas que, infelizmente, não se traduz em uma política contínua de atração de investimentos. É como ter um tesouro escondido, mas não ter o mapa para encontrá-lo, ou, pior, não ter a vontade de procurá-lo.

Minha história no audiovisual acreano é, em muitos aspectos, um reflexo da própria história do cinema no Acre, e que compartilho com alguns poucos entusiastas: uma saga de resistência, de superação, de paixão. Mas também de frustrações, de oportunidades perdidas, de talentos que não foram devidamente valorizados. O sarcasmo e a ironia que permeiam minhas palavras não são um sinal de vitimismo, mas de uma indignação profunda, de quem vê um potencial imenso sendo desperdiçado por questões que, para mim, são tão óbvias quanto a luz do sol.

O preconceito, que me acompanha desde sempre, é apenas mais uma camada dessa complexa teia que é a realidade cultural local. É a prova de que, mesmo com todas as credenciais, a luta por um espaço justo e por reconhecimento é uma batalha diária. Mas, como um bom filme de resistência, a minha história e a do audiovisual acreano continuam a ser escritas, com a esperança de que o final seja, finalmente, um blockbuster de sucesso, e não mais um drama independente que poucos verão.

Minha trajetória é um testemunho vivo de que a paixão e a persistência podem mover montanhas, mesmo que essas montanhas sejam feitas de burocracia e desinteresse. Venci editais, como o DocTV Brasil com O Mergulho, e tive projetos contemplados pela ANCINE, provando que a qualidade e a relevância de um trabalho não dependem do CEP do produtor. Mas, por vezes, sinto que esses reconhecimentos externos são mais um motivo para a desconfiança interna do que para o orgulho.E essa mentalidade, meus caros, é o verdadeiro entrave para o desenvolvimento do audiovisual acreano. Não é a falta de recursos, não é a falta de talento, não é a falta de histórias. É a falta de visão, a falta de coragem para romper com o status quo, a falta de reconhecimento de que a arte, em todas as suas formas, é um motor de transformação social e econômica. É a crença de que o cinema é um hobby, uma brincadeira de criança, e não uma indústria séria, capaz de gerar empregos, renda e, acima de tudo, identidade.

O Acre tem um potencial narrativo que poucos lugares no mundo possuem. A riqueza da cultura amazônica, a diversidade dos povos, a luta pela preservação da floresta… tudo isso é um manancial inesgotável de histórias que clamam para serem contadas. Mas, para isso, é preciso que os responsáveis pela produção, pelo fomento e pela gestão do audiovisual deixem de lado a miopia e enxerguem o horizonte. É preciso que eles entendam que o cinema não é apenas entretenimento, é memória, é história, é futuro. E que, para construir esse futuro, é preciso investir em quem realmente faz, em quem realmente acredita, em quem dedicou uma vida inteira a essa paixão. Que a semente do audiovisual acreano, um dia, floresça em todo o seu esplendor, e que eu esteja lá para ver, já não me sinto muito bem.

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