O RISCO DO FOGO

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Acre tem quase nove mil hectares de áreas queimadas em 2025

Entre os 22 municípios acreanos, a capital Rio Branco lidera o ranking da chamada “mancha do fogo”; queimadas urbanas são o principal problema (Foto: Neto Lucena/Secom/AC)




Condições ambientais e climáticas ajudam a reduzir a quantidade de focos de queimadas no estado; todavia, dias ainda mais quentes e secos até meados de outubro exigem cautela para se evitar a tragédia vivida pela população acreana, com as cidades invadidas pela fumaça tóxica por semanas. Governo federal reconhece situação de emergência no Acre.



dos varadouros de Rio Branco

O Acre já registrou, até o último dia 15 de agosto, 8.882 hectares de cicatrizes de queimadas em todo o território. Na comparação com o mesmo período do crítico ano de 2024, o estado apresenta uma redução de 60% na sua “mancha do fogo”. Os cinco municípios com as maiores áreas queimadas são Rio Branco (25%), Feijó (12%), Tarauacá (12%), Cruzeiro do Sul (7%) e Sena Madureira (6%).

Os dados foram levantados pelo Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (Labgama), do Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, da Universidade Federal do Acre (Ufac).

“O ano de 2025 começa com uma temporada de fogo mais amena do que 2024. Entretanto, é importante mencionar que em 2024 nós tivemos um dos anos mais secos dos últimos cinco anos. Então, essa redução de área queimada é importante, mas ela ainda não afasta todo o perigo que a gente ainda tem pela frente”, diz a pesquisadora Sonaira Silva, coordenadora do Labgama.

Como ela destaca, os dias mais quentes e secos tendem a se intensificar a partir desta segunda quinzena de agosto, e se estendendo até meados de outubro. Tais condições são propícias para a propagação do fogo, incluíndo casos de incêndios florestais, que também alcançaram níveis alarmantes no Acre em 2024.

“Em 2025 nós já começamos um período de redução de chuvas muito drástica. Isso mostra que mesmo com as chuvas dos períodos de final de julho e início de agosto, nós ainda estamos com um déficit de chuva importante”, completa Sonaira.

Nas análises da pesquisadora, mesmo com o bom nível de redução na “mancha do fogo” observada até o momento, as áreas queimadas no Acre, em 2025, podem chegar a 100 mil hectares. A quantidade de incêndios florestais pode até ser menor, mas os maiores impactos estão nas queimadas em pastagens e áreas recém-desmatadas. Como mostram os últimos indicadores, o estado apresenta aumento considerável em sua área desmatada desde o segundo semestre de 2024.

“Mesmo que em 2025 nós tenhamos um regime de chuva mais regular no período do verão, isso não afasta totalmente o perigo das queimadas, principalmente as queimadas agrícolas. “É importante que o controle esteja sendo redobrado, que o monitoramento continue sendo efetivo, mas que também nós possamos sugerir e repassar aos agricultores alternativas que eles possam, ou se não eliminar o fogo, ao menos reduzi-lo, mantendo a sua produção, mantendo a qualidade de vida, mesmo em áreas mais isoladas.”, afirma a cientista do Labgama.

O governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, reconheceu oficialmente a situação de emergência em 21 municípios acreanos afetados pela seca severa, conforme Portaria nº 2.521, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 18.

A medida reforça o quadro crítico enfrentado pela população e possibilita maior acesso a recursos federais para apoiar ações emergenciais.

Na comparação com o igual período de 2024, focos de queimadas no estado apresentam redução de 70%, conforme o Inpe (Foto: Neto Lucena/Secom/AC)



A capital do fogo

Sozinha, Rio Branco registra quase 2.500 hectares de áreas queimadas em 2025. Um velho problema que afeta não somente a preservação da fauna e da flora, mas também a qualidade de vida da população rio-branquense, que a cada período de verão precisa conviver com a poluição extrema do ar – além das altas temperaturas e a insegurança hídrica.

Não por acaso, a cidade já ganhou o título de a capital do fogo.

Em Rio Branco, como mostram as imagens captadas pelos satélites, o grave problema ainda são as queimadas criminosas em terrenos baldios no entorno da cidade. Na tarde do último domingo, uma grande queimada aconteceu às margens da Avenida Amadeo Barbosa, próximo à Quarta Ponte, no Segundo Distrito.

De acordo com o programa BD Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até 17 de agosto o Acre registrou 344 focos de queimadas – o que representa 3,7% do detectado em todo o bioma amazônico. Ao todo, a região amazônica apresenta uma quantidade de 9.181 focos.

Quando se compara com o mesmo período da tragédia ambiental de 2024, a redução, até o presente momento, no Acre, é de 76% no número de focos detectados pelos satélites do Inpe. Já quando se avaliam os dados de toda a Amazônia Legal, a queda é de quase 345%.

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