As mulheres dos barrancos

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Penso que os dois maiores símbolos sobre vida são as águas e as mulheres. E aqui na região da Amazônia elas têm uma ligação muito íntima uma com a outra. Cenas comuns à beira das águas e dos igarapés, sentadas ou de cócoras, sempre encontramos mulheres lavando a louça, lavando as roupas, fazendo comida, pegando água, ticando um peixe…

O próprio fotógrafo dessa cena, Paulo Henrique Costa, fala sobre: “essa cena me chamou muito a atenção porque ela me lembrou muito a minha mãe e das minhas irmãs. Minha mãe sempre me relatava que quando ela era menor, ela carregava a louça assim na cabeça, tal como essa menina tava fazendo, sabe?! Pra mim não existe uma coisa mais Acre do que isso.”

Ao mesmo tempo que é uma cena afetuosa ao fotógrafo e tipicamente amazônida, a imagem também traz consigo uma preocupação que tem se tornado cada vez mais comum: a seca. O Acre tem sofrido a cada ano com os eventos climáticos extremos, como as alagações e as secas.

Percebemos na foto um barranco extenso e o Igarapé Humaitá, em Porto Walter, aparece lá em baixo, já com pouquíssima água. A fotografia foi feita num setembro, um mês em que já estamos nos habituando a saber que será de intensa fumaça, onde o cinza barra o azul do céu e ataca também nossos pulmões; ao mesmo tempo que as águas dos rios e igarapés, tão abundantes na floresta, tornam-se tão poucas e muitas vezes poluídas.

Os rios e igarapés com menos vida e os barrancos tornando o cotidiano ainda mais dificultoso. Sendo necessário gastar um tanto mais de energia para subir e descer tantas vezes no dia.

Desce barranco, lava a louça; sobe barranco;
Desce barranco, faz o almoço, sobe barranco;
Desce, lava novamente a louça, sobe barranco;
Desce barranco, lava roupa, sobe e
Desce, pega água e sobe. Mais tarde tem o banho.



Texto: Alexandre Cruz Noronha
Editor de Imagens do Varadouro


Autorretrato

Eu me chamo Paulo Henrique Costa, sou formado em engenharia agronômica (com foco na agroecologia, agricultura orgânica e sistemas de agrofloresta) e muito recentemente terminei o mestrado em Ciências Ambientais pela Ufac. Também já trabalhei na área de comunicação, como apresentador e repórter de um programa de TV aqui no Vale do Juruá (2012). Fui Coordenador de Comunicação da organização Elas Existem – Mulheres Encarceradas.

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