Fiscalização do Ibama revela desmatamento na BR-319 e reforça decisão judicial que barra asfaltamento

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Fiscalização comprova práticas de crime ambiental na BR-319; determinação do TRF-1 reforça alerta, enquanto ruralistas intensificam ofensiva política contra Marina Silva com narrativa antidesenvolvimentista

dos varadouros de Manaus

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou a abertura de ramais ilegais na BR-319, sem qualquer tipo de licenciamento ou autorização ambiental. A ação criminosa utilizava-se de equipamentos pesados como trator de esteira, de grande porte, e geradores de energia, evidencindo a ocorrência de desmatamento ilegal em larga escala.

O aumento das ações do Ibama na BR-319 — com apreensões de maquinário pesado, destruição de ramais ilegais e combate à extração de madeira sem autorização — ocorre em meio a uma decisão judicial que reacende o debate sobre os impactos ambientais da rodovia. No último dia 02.07, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) restabeleceu a suspensão da licença prévia para o asfaltamento da BR-319, concedida em 2022 durante o governo Bolsonaro, acolhendo o argumento de que a obra estimula o desmatamento e fere a legislação ambiental.

A decisão contradiz o discurso da bancada ruralista e de setores favoráveis ao asfaltamento, que alegam que a rodovia não impulsiona o desmatamento. No entanto, dados e fiscalizações apontam o contrário: somente a expectativa de asfaltamento já gerou um aumento de 122% no desmatamento ao redor da estrada, com a proliferação de ramais ilegais que avançam floresta adentro, de acordo com dados do Governo Federal.

O próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em relatório recente, reconheceu o surgimento desses acessos clandestinos, ligados diretamente ao corredor da BR-319.



O contexto técnico e jurídico que motivou a suspensão da licença tem sido ignorado por setores que usam a rodovia como palanque contra a agenda ambiental. A ministra Marina Silva, reconhecida internacionalmente como autoridade em questões ambientais e climáticas, vem sendo alvo de ataques coordenados por parlamentares da bancada ruralista, especialmente após endurecer a fiscalização e defender critérios rigorosos para a viabilidade ambiental da obra.

Durante audiências das comissões de Infraestrutura, no Senado; e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na Câmara dos Deputados, Marina foi hostilizada, interrompida e comparada a grupos extremistas, em uma tentativa de descredibilizar sua atuação e enfraquecer o Ministério do Meio Ambiente.

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