Nossos rios, nossas vidas

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A cena acima foi flagrada pelo artista visual e poeta Danilo de S’Acre. Ela é um retrato comum do nosso cotidiano acreano, de nossas vidas nas cidades, na floresta e nos campos. Durante os meses das cheias, com o transbordamento dos rios e igarapés, a molecada refresca o calor dos dias de nosso “inverno amazônico” às margens dos mananciais. Como nessa fotografia feita em Rio Branco, durante a cheia do rio Acre – as muitas alagações que passaram a ser recorrentes e intensas nestes novos normais de nossa crise climática.



Escreve Danilo:

“A cena, é claro, fiz várias, tinha mais meninos nas águas. O que achei incrível é que eles mergulhavam nas águas barrentas do rio Acre e tinham dificuldades de retornar à base do alicerce da ponte, daí quem já estava em cima, ajudava os da água subirem, para retomar ao mergulho. A imagem é espontânea e não houve pose, foi somente sorte em registrá-la. Há na composição uma estética e um ritmo bem sincopado entre os 3 personagens. Em toda imagem existe poesia e exige do artista um olhar especial em detectar e “aprisionar” esta eternidade momentânea.”



Autorretrato

Danilo de S’Acre é um artista visual e poeta que desenvolve uma prática baseada em sustentabilidade e preservação ambiental. Desde 1974, o artista, que vive e trabalha em Rio Branco, combina pintura, escultura, desenho, performance e instalações de grande escala, utilizando principalmente materiais reciclados e elementos da natureza. Sua investigação foca na “poética das coisas” e na criação artística a partir da “impossibilidade visual”. Com exposições no Brasil e na Europa (com destaque para a Itália, entre 1980 e 1993), ele foi reconhecido por mostras como Poéticas das Ilusões Felizes (2023–2024).

canibalvisual.danilo@gmail.com

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