
Por Edinei Muniz
Há momentos em que a política parece uma comédia.
Só que ninguém ri.
Gladson olha para Brasília como quem olha para a última saída de emergência.
A saída tem três letras: STF.
E uma palavra mágica: liminar.
Mas Brasília está em chamas.
A crise política em torno de Alexandre de Moraes, o debate eleitoral sobre impeachment de ministros do Supremo e a crescente temperatura em torno da Corte formam o pior cenário possível para quem precisa de uma decisão excepcional.
E lá vai Gladson.
Pasta debaixo do braço.
Esperança no bolso.
Candidatura na mão.
Bate à porta do Supremo com sua tradicional cara de pastel de baixo clero.
“É só uma liminarzinha…”
Só que a porta não está exatamente escancarada.
O candidato precisa do STF justamente quando o STF virou assunto de campanha.
O STJ condenou Gladson a 25 anos e 9 meses.
Agora, a última esperança é uma decisão do Supremo capaz de afastar os efeitos da inelegibilidade.
Só existe um pequeno detalhe.
Uma liminar dessas, em plena eleição, não seria apenas uma liminar.
Seria manchete.
Seria munição.
Seria combustível.
Seria mais lenha na fogueira de um Supremo que já está no centro de uma guerra política.
E Gladson, coitado, chegou justamente com o fósforo na mão.
A defesa pode recorrer.
Pode insistir.
Pode acreditar.
Mas há momentos em que até Brasília parece dizer:
“Volte amanhã.”
O problema é que a eleição não volta amanhã.
O calendário não espera.
E a janela do STF pode estar fechando.
Gladson talvez esteja descobrindo uma das leis não escritas da política:
quando você precisa desesperadamente que uma porta se abra, o pior lugar para bater é justamente onde todo mundo está olhando.