
Neste artigo, o jornalista e escritor Elson Martins, fundador do Jornal Varadouro na década de 1970, fala sobre o seu reencontro com Ilzamar Mendes, viúva do líder seringueiro Chico Mendes. Eles se reencontraram na Casa Museu, espaço dedicao à história e à identidade dos povos acreanos. Na oportunidade, Ilzamar teve um outro reencontro: com o seu modo de vida enquanto criança no seringal Santa Fé, em Xapuri.
Por Elson Martins
dos varadouros de Rio Branco
A viúva de Chico Mendes, Ilzamar Mendes, levou a família (o genro Tiago, os filhos Elenira e Sandino e a neta Maria Helena) a conhecer a Casa Museu em Rio Branco, uma unidade de memórias de tudo que lembra os seringais do século passado no Acre O museu foi criado pelo atual desembargador aposentado Arquilau de Castro Melo, ex-repórter do nanico Varadouro (1977-1981), depois advogado e juiz, aposentando-se como desembargador. Passou 30 anos juntando material antigo nos seringais: máquinas de costura, ferro de passar roupas, remos, balanças, facões, espingardas, mapas, embalagens de bebidas e perfumes, entre outros.
Ilzamar é a senhora de suas origens no seringal Santa Fé, cortando seringa com o pai, dos 7 aos 16 anos, sentindo o “cheiro bom” da borracha que encontrou no museu. Fez questão de mostrar como fazia na juventude dos povos da floresta: sentou no “defumador” (onde o látex forma a pele de borracha no meio da fumaça) e deu seu recado.
A filha Elenira, que aos quatro anos de idade acalentou o pai agonizando no chão da residência, após receber um tiro de chumbo no peito, disparado pelo peão Darcy Alves, tocaiado no fundo do quintal, ficou encantada com a exibição da mãe, assim como se encantou com tudo que viu no Casa Museu, até com o mapa antigo, mas muito detalhado, onde encontrou o registro do seringal Santa Fé, onde os avós tinham uma colocação.
Formada em Direito, agora ela faz mestrado na Unicamp, em São Paulo, e tem planos para voltar a Xapuri e desenvolver projetos que reacendam a memória e o legado que o pai deixou para os povos da floresta, a maioria morando em suas antigas colocações nas reservas extrativistas.
Elenira também está produzindo um livro sobre Chico Mendes, com apoio de uma entidade Italiana.



