Dia do Jornalista: homenagem aos grandes da Amazônia insubmissa

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Foto: Revista Piauí

O Varadouro, através de seu fundador Elson Martins, presta homenagem ao mestre Lúcio Flávio Pinto, celebrando a parceria histórica iniciada no Estadão e revisitando as memórias de um jornalismo de combate na Amazônia resgatadas pela recente reportagem da revista Piauí. Unidos pelo rigor ético e pela defesa da Amazônia, Elson Martins e Lúcio Flávio Pinto foram contemporâneos e ainda hoje inspiram gerações de jornalistas que ousam questionar informação pasteurizada. A relação entre os dois, incluiu desde o convite para a linha de frente da imprensa nacional, feita por Lúcio Flávio a Elson, até a proteção contra ameaças de poderosos — sob a luz das histórias lembradas pela Piauí. Um encontro de histórias que atravessa décadas de cobertura amazônica. Veja trecho:



PARTE I TRABALHANDO NO JORNAL DOS OUTROS

Era a primeira metade dos anos 1970. O rapaz percorria a América Central de ônibus com o objetivo de convidar outros como ele a participar de um encontro internacional no México, organizado por uma comunidade ecumênica francesa voltada para a promoção da fraternidade e da reconciliação.

Foi na Cidade do México que o jovem conheceu a freira. Ela chorava muito – chorava inconsolavelmente – e ele não compreendia a razão. “Era a freira Maurina Borges”, relembra Ricardo Rezende, o rapaz que, aos 22 anos, se viu diante da religiosa.

Em 1969, madre Maurina Borges era diretora de um abrigo de crianças órfãs em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Quando lhe disseram que uma das salas de aula do estabelecimento estava sendo usada por um grupo de “comunistas”, ela, assustada, recolheu o material que encontrou ali e jogou tudo no fogo.

Pouco depois, a Operação Bandeirante, braço da repressão, invadiu o abrigo. Acharam produtos químicos compatíveis com os utilizados na fabricação de bombas e levaram irmã Maurina para a prisão. “Um policial amarrou-lhe fios nos dedos das mãos e rodou o magneto”, escreveu Elio Gaspari na sua história do período. Ela foi torturada seguidas vezes durante a detenção – a única freira a sofrer tortura durante a ditadura militar.

Passados cinco meses, seu nome foi incluído na lista de prisioneiros políticos a serem libertados em troca de um diplomata japonês sequestrado por um grupo da resistência. Forçada ao exílio, irmã Maurina terminou no México.

“Quando um exilado sabe a razão do seu exílio, sofre, mas pode se sentir orgulhoso”, explica Rezende, no seu apartamento no Rio de Janeiro. “Mas ela não sabia por que tinha sido presa e por que tinha ido parar no México. E por isso chorava na minha frente.”

O encontro determinou a vida do rapaz. “O sofrimento dela me tocou. Me convenci de que precisava ajudar a mudar esse país.” Irmã Maurina tinha um irmão religioso que trabalhava no Pará. Ricardo Rezende decidiu se juntar a ele.

“Cheguei em Conceição do Araguaia em 1977 e me vi no epicentro do conflito fundiário brasileiro. Era um barril de pólvora. Em dezembro de 1978 ou 1979 – lembro que era a época da minha segunda ameaça de morte –, havia oitenta conflitos coletivos pela terra. Sei disso porque preparamos um documento para o nosso bispo apresentar na CNBB”, recorda.

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