Liderança Shanenawa relata impactos da estiagem em aldeia de Feijó

À medida que os dias quentes e sem chuva avançam, o único açude que abastece a aldeia Shanayhu, na TI Katukina Kaxinawa, vai secando; a água se transforma em lama. Crianças e idosos desenvolvem doenças pelo uso de água insalubre. Falta de energia agrava a situação. Liderança pede ajuda às autoridades.
dos varadouros de Rio Branco
A liderança Shanenawa Maria Valderina, da aldeia Shanayhu, expôs por meio de áudios e vídeos compartilhados pelo Whatsapp, os impactos da intensa falta de chuvas que já afeta o Acre neste começo de verão. Com os dias mais severos de estiagem ainda por vir nos meses de agosto e setembro, muitas comunidades já sentem os impactos de uma temporada seca intensa, repetindo o que foi o ano de 2024. A comunidade faz parte da Terra Indígena Katukina Kaxinawa, no município de Feijó.
Sem acesso à água potável por meio de poços artesianos, a comunidade precisa recorrer a um igarapé e a um açude. Porém, as duas fontes já não oferecem água em boas condições para o uso humano – tanto para consumo quanto para higiene. Segundo a liderança Maxi, muitos dos moradores já começam a desenvolver doenças pelo uso da água insalubre. As crianças e os idosos estão entre as mais afetadas. Os casos mais comuns são de diarreia, desidratação e alergias na pele.
Em um dos vídeos. Maxi mostra a condição insalubre do açude que abastece a comunidade. Sem chuvas, a principal fonte de água começa a secar. Aos poucos, a água se transforma em lama. O mesmo acontece com um igarapé próximo.
SAIBA MAIS: Crise climática faz indígenas perderem roçados, ameaça agricultura e sua ancestralidade
A falta de energia agrava a situação na aldeia do povo Shanenawa. Há sete anos, afirma a liderança, a comunidade reivindica a instalação de rede elétrica na comunidade. Outras duas aldeias vizinhas já possuem eletricidade. A TI Katukina Kaxinawa fica localizada entre as margens do rio Envira e a BR-364. A proximidade com a sede urbana de Feijó facilita a presença da rede elétrica.
No começo do ano, um Linhão foi inaugurado entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, cujas torres passam nos limites do território Shanenawa. Sem energia, a aldeia Shanayhu fica impossibilitada de perfurar poços e de operar bombas para a captação de água potável.
Nos últimos anos, tem crescido o número de comunidades indígenas no Acre afetada pelos eventos climáticos extremos. Nos meses do verão, a seca compromete não só o acesso à água potável, mas também a segurança alimentar.
Os dias de temperaturas mais quentes e a falta de chuva comprometem os roçados de subsistência das famílias. Já nos meses do inverno, as alagações inundam os territórios afetando poços e destruindo a agricultura e a criação de animais.

Com rios e igarapés secos, muitas aldeias também sofrem com os impactos do isolamento, impedindo a chegada de ajuda como sacolões e galões de água mineral para atendimentos de urgência.
Uma realidade, infelizmente, cada vez mais comum em tempos de intensificação dos eventos climáticos extremos na região amazônica. Do Alto Acre ao Alto Juruá, ninguém está livre dos efeitos de um clima cada vez mais diferente – e estranho para nós da Amazônia.
Assista ao documentário ALDEIAS INUNDADAS e saiba mais sobre os impactos da crise climática entre os povos indígenas do Acre



