UM MANANCIAL SEM ÁGUA

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Rio Acre está a menos de 10 cm de nível mais crítico de vazante da história

Em 2024, rio Acre atingiu a marca de 1,23m em setembro; cota pode ser superada em 2025 (Foto: Alexandre Cruz Noronha)



Nível é alcançado mais de um mês antes da cota mais crítica das últimas cinco décadas, que é de 1,23m, registrada em 21 de setembro de 2024. Desde maio, chuvas na capital estão abaixo da média. Em Brasiléia, manancial ficou em 84 cm no domingo. Período mais crítico do verão ainda está por vir.


dos varadouros de Rio Branco

O nível do rio Acre em Rio Branco atingiu a marca de 1,31m nas primeiras horas de segunda-feira, 11 de agosto. Em termos práticos, o manancial está a menos de 10 centímetros da cota de vazante mais crítica dos últimos 50 anos, que é de 1,23m. Tal nível foi alcançado em 2024. A diferença é que ele foi registrado já quase no fim de setembro, no dia 21. Ou seja, ainda vamos entrar no período mais crítico do verão – quando as chuvas tendem a ficar ainda mais escassas -, o que pode levar a única fonte de água da capital acreana ao verdadeiro colapso.

Ao menos desde 2016, o rio Acre apresenta níveis extremos de vazante por conta de um clima bastante alterado. Os períodos secos passaram a ficar ainda mais intensos e prolongados. Um fenômeno observado não somente na região leste do estado, mas também na oeste, onde os rios Juruá, Tarauacá, Envira e seus afluentes ficam praticamente inavegáveis nos meses do verão.

Além dos efeitos das mudanças climáticas, o rio Acre é impactado pelo assoreamento de suas margens por conta do desmatamento de sua mata ciliar ao longo dos últimos 60 anos. O furto de água para abastecer açudes e bebedouros de grandes fazendas de gado agravam o cenário.

Desde o começo do mês passaram a ser divulgados vídeos produzidos pelas comunidades mostrando a situação crítica dos mananciais. Um dos casos mais graves é o do rio Caeté, em Sena Madureira. Nas imagens é possível observar que em alguns trechos ele se resumiu a pequenos poços d’água. Outro vídeo foi feito no Alto Juruá, com situação semelhante.

Em Brasiléia, no último domingo, 10, o rio Acre ficou abaixo de um metro, com 84 cm. Chuvas mais fortes registradas nas últimas 96 horas nas cabeceiras em Assis Brasil levaram o manancial a apresentar uma tímida elevação. Na segunda, ele estava em 1,26m.

Em junho, o grupo trinacional MAP emitiu alerta à sociedade e às autoridades sobre os impactos da estiagem de 2025 na tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru. Na semana passada, o governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco decretaram situação de emergência ambiental por causa dos efeitos da seca. Ambos decretos valem por 180 dias.

“Já realizamos levantamentos nas áreas rurais e nos bairros de Rio Branco, acompanhando o Saerb e já fazendo ações emergenciais como o abastecimento de água. Temos visto que a situação tem se agravado a cada instante. Portanto, não era mais possível adiar a decretação da situação de emergência”, disse o tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil de Rio Branco.


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“Este decreto ajudará a ampliar a assistência que já estamos oferecendo, além de permitir a solicitação de ajuda de outros ministérios, o que ampliará a gama de ações humanitárias.” De acordo com ele, a medida é válida apenas para os impactos da estiagem, que cria insegurança hídrica às comunidades ribeirinhas e rurais da capital. Todos os anos, a prefeitura precisa disponibilizar água potável em caminhões-pipas a estes territórios.

Segundo Falcão, desde maio Rio Branco apresenta níveis de chuva abaixo do normal para o período. Em agosto, o acumulado de chuvas não ultrapassa os seis milímetros.

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