Marcos Dias e Montezuma Cruz
Dos varadouros de Nova Califórnia (RO)
Líderes Indígenas, quilombolas e agricultores familiares participaram do dia 2 até hoje, quinta-feira (4) em Nova Califórnia (Rondônia) da Oficina: Oportunidade de Financiamento Climático, executada pela agência de cooperação técnica alemã GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) e sediada no Projeto RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado).
Distante aproximadamente 360 quilômetros de Porto Velho e 150 km de Rio Branco (AC), o RECA ocupa posição estratégica na divisa entre Rondônia, Acre e Amazonas, próximo à fronteira brasileira com a Bolívia.
Fundado em 1984 por migrantes que enfrentaram condições adversas na região da Ponta do Abunã, o RECA consolidou-se como símbolo de resistência comunitária e inovação agrícola. Ao optar por sistemas agroflorestais, em vez da derrubada da floresta, os agricultores transformaram um território marcado pelo abandono em referência internacional de sustentabilidade.

O professor da Universidade Federal do Acre (UFAC), pesquisador Foster Brown, abordou fundamentos das mudanças climáticas e seus impactos em diferentes escalas. Já o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eufran Amaral, destacou estratégias de mitigação e adaptação, com foco na resiliência comunitária frente a eventos extremos.
Experiência prática e troca de saberes
A abertura foi marcada por visita guiada às instalações da agroindústria do RECA, conduzida pela coordenadora técnica, Taysa Faltz, e pelo gerente comercial Gicarlos Souza. Os participantes conheceram práticas de manejo sustentável e agregação de valor em óleos florestais.
Os representantes da GIZ, Joanna Ramos e Heliandro Maia, apresentaram aos 46 participantes o Projeto Ação para as Florestas e os principais instrumentos de financiamento climático, entre os quais o Fundo Amazônia e fundos comunitários.
A oficina teve como propósito oferecer ferramentas e bases de conhecimento para a captação e gestão transparente de recursos financeiros voltados às mudanças climáticas. A programação incluiu:
● Diálogo sobre impactos, desafios e oportunidades climáticas nos territórios locais.
● Capacitação de lideranças na identificação de oportunidades de financiamento alinhadas às demandas comunitárias.
● Introdução aos conceitos de Pagamentos por Serviços Ambientais e estímulo à cooperação entre organizações sociais e instituições parceiras.

Parceria que valoriza e conserva a natureza
A Natura é a principal cliente do RECA, consolidando a sua inserção em mercados nacionais e internacionais. Segundo a coordenadora de sustentabilidade da empresa, Bianca Marcuartú, a parceria tem 12 anos. “Começamos em 2013, quando os créditos de carbono foram medidos pela primeira vez”, assinalou.
Para ela, a longevidade do projeto RECA se deve “ao protagonismo e boa governança da comunidade, que é responsável pelo projeto e tem autonomia nas decisões.”
A parceria, Natura-RECA, tem incrementado a renda dos participantes, contribuído para a conclusão do ensino superior dos filhos dos produtores, aportado investimentos na infraestrutura e fortalecido a governança, por meio da participação em reuniões, eventos e intercâmbio.

Quatro décadas após sua criação, o RECA é reconhecido como laboratório amazônico de agroflorestas. Mais que uma cooperativa, tornou-se exemplo de como comunidades podem reinventar a relação com a floresta: produzir sem destruir, crescer sem excluir.
O desafio atual é ampliar a capacidade produtiva e fortalecer parcerias que assegurem a continuidade de um modelo que alia economia, ecologia e dignidade social.
Encerramento e resultados
Durante três dias, o encontro reuniu: agricultores, extrativistas, representantes indígenas com representantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Projeto Cooperar para avançar/Andiroba/FUNBio, Natura e SOS Amazônia.
A oficina foi concluída com trabalhos em grupo, nos quais os participantes sistematizaram desafios e oportunidades para acessar fundos climáticos, discutindo critérios de elegibilidade e estratégias para viabilizar projetos locais.
O encontro consolidou-se como espaço estratégico de intercâmbio de experiências e fortalecimento das capacidades comunitárias, reafirmando o protagonismo das organizações tradicionais na construção de soluções sustentáveis para enfrentar a crise climática na Amazônia.

Saiba mais sobre o RECA
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