
Evento reuniu a ministra dos Povos Indígenas, lideranças de diversas organizações do Alto Madeira e Médio Purus, além de representantes da Funai, para construir agenda comum de incidência política na conferência mundial do clima
dos Varadouros de Lábrea
Lideranças indígenas reuniram diversos representantes de organizações de base de territórios do sul do Amazonas no seminário regional “Pré COP 30 Indígena – Etapa Alto e Médio Madeira e Purus”, na Vila Olímpica do município de Lábrea. O evento, uma das etapas preparatórias para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém no final do ano, tem como objetivo central escutar as comunidades e construir coletivamente estratégias de proteção territorial, sustentabilidade e participação indígena nas discussões globais sobre o clima.
A mesa de abertura do evento contou com a presença de autoridades de peso do movimento indígena e do governo federal, destacando a importância estratégica da região, que enfrenta pressões de grandes projetos e da fronteira agropecuária. A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participou de forma destacada no segundo dia do evento, no Painel 5, para explicar o funcionamento da COP e articular as estratégias de participação indígena.
Além da ministra, estiveram presentes na abertura ou como palestrantes: Mariazinha Baré, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Amazonas (Apiam); Francisco Apurinã e Pedro Tukano, representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); Zé Bajaga Apurinã, da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Rio Purus (Focimp); Nilcélio Jiahui, da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (Opiam); e representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos Distritos Sanitários de Saúde Indígena (DSEIs) da região.
A presença massiva de lideranças de base e organizações regionais, como a Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi (OPIAJ) e a Organização do Movimento Indígena de Beruri (OMIB), demonstrou a capilaridade do evento e o esforço para garantir que as vozes das comunidades mais impactadas sejam ouvidas.
Dos direitos territoriais aos créditos de carbono
A programação do primeiro dia focou nas ameaças aos territórios. No Painel 1, sobre Direitos Humanos, Ambientais e Territoriais, as lideranças fizeram um panorama detalhado dos conflitos e pressões fundiárias na região, alertando para os impactos de grandes obras e da flexibilização da legislação ambiental.
Um dos temas mais aguardados, o Painel 3 sobre “Créditos de Carbono e Fundos de Financiamento”, foi moderado por Francisco Padilha Apurinã e contou com a participação da especialista Manuella Cantalice, do The Future Forest Fund (TFFF), e da liderança Rose Apurinã, do Instituto Podaali. O debate abordou de forma crítica os riscos e oportunidades desses mecanismos financeiros, enfatizando a necessidade de os povos indígenas estarem bem informados para negociar em condições de igualdade e evitar armadilhas que possam comprometer a gestão de seus territórios.
Caminho para a COP30
O segundo dia de evento foi dedicado à sustentabilidade e à ação coletiva. Além da participação da ministra Sônia Guajajara, os participantes se dividiram em Grupos de Trabalho (GTs) para discutir temas específicos como direitos territoriais, fundos climáticos e sociobioeconomia. O resultado dessas discussões será compilado em um documento com propostas concretas que guiarão a participação das delegações indígenas da região na COP30.
O seminário em Lábrea é uma demonstração clara da força da organização indígena na Amazônia e do compromisso do governo Lula em ouvir e incluir os povos originários como partes centrais na formulação das políticas climáticas e ambientais do país.
*Com informações do comunicador Kanynary Apurinã, da Organização dos Caciques dos Povos Indígenas de Lábrea (OCAPIL).



