Fotografia do Varadouro integra exposição internacional do Masp, em São Paulo

Exposição “Histórias da Ecologia” conecta questões locais e globais por meio de diálogos entre artistas brasileiros e internacionais, muitos dos quais expõem pela primeira vez na América Latina; Imagem histórica da luta de seringueiros em Boca do Acre, publicada pelo Jornal Varadouro em 1979, está entre os trabalhos expostos num dos museus mais prestigiados do país.
dos varadouros de Rio Branco
De 4 de setembro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026, a exposição coletiva internacional Histórias da Ecologia ganha destaque em um dos mais importantes espaços culturais do país: o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp. A mostra conta a história das relações entre os seres vivos, o mundo que habitam e suas inter relações estão estampadas em fotografias, pinturas, esculturas, vídeos e performances que colocam em diálogo comunidades, territórios e ecossistemas de diferentes locais ou períodos.
A história da luta e da resistência da Amazônia, historicamente veiculada pelas páginas do jornal Varadouro, está representada na obra intitulada Mutirão contra a Jagunçada. Empate na estrada de Boca do Acre, imagem do ex-seringueiro José Maria Barbosa que apresenta texto de Elson Martins, um dos fundadores do Varadouro, em reportagem originalmente publicada no jornal, em setembro de 1979.
José Maria Barbosa era membro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, município acreano que faz fronteira com a Bolívia. Para fazer a imagem, ele utilizou uma pequena câmera Olympus Penn, com filme Kodak, conta Elson Martins.
“A foto aconteceu no Mutirão contra a Jagunçada, quando mais de 300 sindicalistas seringueiros, ribeirinhos e colonos expulsaram uma dúzia de jagunços armados que atuava no km 60 da estrada Rio Branco/Boca do Acre, infernizando a vida de posseiros do seringal Penápolis, a mando do fazendeiro paulista Zaran. Foi um marco na história do sindicalismo rural do Acre que assustou os fazendeiros da região e resultou no assassinato do líder Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia”, conta Martins.
“Eu acompanhei esse mutirão desde a reunião que a planejou, ocorrida na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no Segundo Distrito de Rio Branco. Publiquei matéria com fotos no Varadouro”, completa. Confira a matéria AQUI. (Elson vai enviar)
Além da exposição, a obra estará presente no Catálogo da Exposição, que terá uma tiragem inicial de até 2.000 exemplares.
A exposição Histórias da ecologia reunirá mais de 200 obras de artistas, ativistas e movimentos sociais de 27 países como Colômbia, Islândia, Japão, Nova Zelândia, Peru e Turquia.
Conheça mais sobre a nossa história num bate-papo entre dois dos fundadores do Varadouro
Histórico

O Varadouro nasceu e operou em plena ditadura militar, entre 1977 e 1981, sendo o único veículo de comunicação a tirar da invisibilidade os conflitos sociais e crimes ambientais causados pela massiva “bovinização” (expansão da pecuária) no Acre.
A imagem que agora chega ao Masp reflete esse período de intensa resistência, onde seringueiros, pressionados por fazendeiros (“paulistas”) e jagunços, organizavam os “empates” para defender suas colocações e a floresta, garantindo assim a preservação do Acre contra uma catástrofe socioambiental.
Empate era uma ação de ativismo não violento usada por seringueiros na Amazônia para impedir o desmatamento de florestas, consistindo na formação de correntes humanas para cercar as áreas ameaçadas e dialogar com os desmatadores, buscando forçar a paralisação do trabalho e a preservação da mata. Da força do movimento, nasce a liderança Chico Mendes, Wilson Pinheiro, entre outros.
Ecologia: uma reflexão política
A curadoria da exposição Histórias da ecologia, assinada por André Mesquita e Isabella Rjeille, investiga a ecologia como uma rede de relações entre seres vivos e o mundo que habitam. A mostra se propõe a ser uma reflexão política sobre a crise climática global, evidenciando o fator humano e as implicações de marcadores sociais como gênero, raça e classe, abrangendo a visão de um sistema de relações entre humanos e mais que humanos (animais, plantas, rios, florestas).
A mostra, que ocupa todos os espaços expositivos do Edifício Pietro Maria Bardi, está dividida em cinco núcleos temáticos que seguem uma ordem linear: Teia da vida; Geografias do tempo; Vir-a-ser; Territórios, migrações e fronteiras; e Habitar o clima.
Os temas de deslocamentos forçados e a resistência a estruturas coloniais e patriarcais, que condicionam o modo de habitar o planeta, são centrais.

A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico.
Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021-22), Histórias Indígenas (2023) e Histórias LGBTQIA+ (2024).
Serviço:
Exposição: Histórias da ecologia
Local: MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Avenida Paulista, 1578) -Edifício Pietro Maria Bardi – 2o ao 6o andar
Período: 4 de setembro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h); fechado às segundas.
*Com informações da assessoria Masp
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