“Estar presente é fundamental”, diz presidenta da Funai em encontro com lideranças indígenas no Juruá

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Presidenta da Funai, Joênia Wapichana, em reunião com lideranças indígenas e organizações locais no campus Ufac, em Cruzeiro do Sul, (Foto: Samuel Arara / Coletivo Tetepawa Comunica)

Visita ao Acre reuniu lideranças indígenas, abordou segurança dos territórios e destacou avanço no processo de demarcação da TI Nawa

Com colaboração de Samuel Arara, do Coletivo de comunicação indígena do Acre (Tetepawa Comunica)

dos Varadouros de Cruzeiro do Sul (AC)

A presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, esteve nesta semana no Vale do Juruá, no Acre, onde participou de um encontro, neste dia 3 de março, com lideranças indígenas, estudantes e representantes de instituições públicas para discutir políticas voltadas aos povos originários da região. A reunião ocorreu no Teatro do Moa, no campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Cruzeiro do Sul, reunindo indígenas de diversos povos e organizações locais.

Na ocasião, Joênia afirmou que a presença da presidência da Funai nos territórios faz parte de uma estratégia para aproximar o órgão das demandas das comunidades indígenas e fortalecer a atuação institucional no país.

“Estou no Acre cumprindo uma missão da Funai, que é visitar as coordenações regionais e dialogar com os povos indígenas. A ideia é ouvir os servidores, tirar dúvidas e responder questões administrativas”, afirmou.

O encontro reuniu lideranças indígenas, estudantes do curso de Licenciatura Indígena da Ufac, representantes de órgãos públicos e autoridades acadêmicas. O objetivo foi ouvir reivindicações das comunidades e discutir caminhos para o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos originários da região do Juruá, considerada uma das áreas com maior diversidade indígena do Acre.

Entre os povos presentes ou representados na região estão Nawa, Nukini, Puyanawa, Shawãdawa, Huni Kuĩ (Kaxinawá), Jaminawa e Madijá (Kulina).

Durante o encontro, lideranças indígenas destacaram preocupações relacionadas à segurança dos territórios, especialmente em áreas próximas às fronteiras internacionais.

Francisco Pyãnko, presidente da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj) e liderança do povo Ashaninka, afirmou que as comunidades enfrentam problemas recorrentes com invasões e atividades ilegais.

Segundo ele, povos indígenas da região relatam a presença de madeireiros, caçadores e outras pressões sobre os territórios, o que reforça a necessidade de maior presença do Estado e de políticas de proteção territorial.

Outras lideranças também destacaram a importância de ampliar o monitoramento das terras indígenas e revisar limites territoriais em algumas áreas para garantir a proteção de locais considerados sagrados e de uso tradicional.

Demarcação da Terra Indígena Nawa

Em sua passagem pelo estado, Joênia Wapichana confirmou que o processo de demarcação de terras indígenas continuará avançando no Acre, citando como exemplo recente a Terra Indígena Nawa.

Localizada nos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no extremo oeste do estado, a TI Nawa teve recentemente aprovado o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), documento técnico que reconhece oficialmente os limites da área tradicionalmente ocupada pelo povo Nawa.

A área delimitada possui cerca de 65 mil hectares e abriga mais de 300 indígenas, organizados em cerca de 96 famílias.

O avanço é considerado um marco para o povo Nawa, que há décadas luta pelo reconhecimento do território. O processo de demarcação foi iniciado há mais de duas décadas e passou por diferentes etapas administrativas até chegar à fase atual.

A aprovação do relatório significa que a terra deixa o status de área “em estudo” e passa a ser oficialmente reconhecida como terra indígena de ocupação tradicional delimitada, permitindo que o processo avance para as próximas fases da demarcação.

Para lideranças indígenas, o reconhecimento territorial é fundamental para garantir proteção ambiental, segurança das comunidades e continuidade cultural dos povos da região.

Fortalecimento institucional

Segundo a presidenta da Funai, a visita ao Acre também integra um processo de fortalecimento institucional da autarquia, que conta atualmente com 43 coordenações regionais em todo o país.

Ela destacou que a ampliação de equipes e a realização de concursos públicos fazem parte da estratégia para melhorar o atendimento às comunidades indígenas e ampliar a presença do órgão nos territórios.

A agenda no estado inclui ainda compromissos administrativos nas coordenações regionais da Funai e a inauguração da reforma do prédio do órgão em Rio Branco, iniciativa que busca melhorar a estrutura de atendimento aos povos indígenas do estado.

Ao final do encontro, Joênia reforçou que o diálogo direto com as comunidades é essencial para a implementação das políticas públicas.

“É importante ouvir as lideranças, suas demandas e seus questionamentos. O que buscamos nessas visitas é fortalecer tanto os povos indígenas quanto a própria Funai, para aprimorar o atendimento e garantir que os direitos indígenas sejam respeitados”, afirmou.

A agenda foi acompanhada por comunicadores indígenas da região, que destacaram o simbolismo da presença da presidência da Funai no Vale do Juruá, considerada por lideranças locais um gesto importante de aproximação entre o órgão indigenista e as comunidades da floresta.

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