
Paulo Henrique Costa já recebeu várias premiações por seu trabalho. Primeira edição do livro está no acervo da Biblioteca Nacional da França, além de participação em exposição no México.
Alexandre Cruz Noronha
dos varadouros de Rio Branco
Criado tomando banho de rio nas águas do Juruá, Paulo Henrique Costa, 30 anos, é formado em Engenharia Agronômica e possui mestrado em Ciências Ambientais. Há pouco mais de um ano sofreu um acidente que quase ceifou-lhe a vida.
Ainda “todo remendado”, como ele mesmo diz, sentado em frente a uma fogueira com dois amigos, após um trabalho religioso e ainda com a força da Ayahuasca, aquecido pela vontade em seu coração e com o rosto iluminado com a luz do fogo, Paulo percebe e diz aos seus amigos: “não quero fazer nenhuma outra coisa, eu amo de fato a fotografia e é isso que quero fazer pelo resto da minha vida”. A partir de então, o nome de Paulo Henrique na fotografia amazônica decola de uma maneira quase miraculosa.
Até então, Paulo fotografava apenas com seu celular, um defasado Iphone X, que já lhe havia rendido duas exposições locais. Mas no dia seguinte que havia declarado aos seus amigos sua vontade de ser fotógrafo, eles o chamaram e, como forma de incentivo, lhe presentearam com uma Nikon D90, uma câmera antiga que pertencia ao seu terreiro religioso.

Paulo Henrique Costa é um dos principais colaboradores do Varadouro em nossa seção Retratos Amazônicos, espaço que procura visibilizar e valorizar o trabalho de profissionais da imagem na região amazônica.
Apenas um mês depois ele é contemplado em um concurso nacional de fotolivro, o Photo Things, com fotos feitas com seu celular e sua D90. A primeira edição contava com apenas cinco exemplares, sendo que um deles foi incorporado ao acervo da Biblioteca Nacional da França.
Agora em agosto, ele lança a segunda edição de seu fotolivro “Raízes do Juruá – Retratos da Amazônia Acreana”, com recurso da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do edital de arte e patrimônio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).
Paulo diz que fotografa com sua intuição, e com um olhar muito afiado consegue compor poeticamente e enquadrar momentos bonitos e mundanos enquanto a vida acontece. A vida ribeirinha, barcos com nomes de gente, alagações, uma casa isolada na neblina do amanhecer ou trabalhos espirituais com folhas e fumaça, o fotógrafo retrata o cotidiano da vida amazônida no Juruá.







“Nós somos uma terra maravilhosa, com muitos povos, muitas línguas, muita cultura, com muita riqueza, no que diz respeito à biodiversidade. Então esse livro é sobre isso, é uma grande homenagem a esse Juruá encantado, a essa terra astral e as pessoas que fazem essa terra ser o que é”, diz o autor do livro.
Com esse trabalho, além das duas edições de seu livro, também já participou de uma exposição fotográfica no México, foi finalista do Festival Fotodoc e ganhou um dos maiores prêmios brasileiros da fotografia, o Marc Ferrez. Com o dinheiro desse prêmio conseguiu comprar sua câmera nova, uma Sony Alpha.
O lançamento do livro acontece onde tudo começou: “A minha fotografia tem muita relação com minha espiritualidade, então é por isso que eu escolhi fazer o lançamento no terreiro, no Passarinho Branco. Lá foi onde, de fato, eu defini que aquilo era o meu sonho”, relata o artista.
Paulo também conta que pretende “usar esse fotolivro como um instrumento, uma forma de potencializar essas narrativas e essas histórias. Então é uma grande homenagem ao Juruá, essa terra astral, esse lugar que eu tanto amo e onde estão minhas raízes… E é por isso que ele se chama Raízes do Juruá”, diz Paulo Henrique Costa.
Para conhecer mais sobre o trabalho do fotógrafo cruzeirense e entrar em contato com ele basta ACESSAR O SEU SITE



