
Além do grave dano ambiental, estimado em mais de dois milhões de reais, a Polícia Federal identificou indícios de grilagem de terras da União. A operação reforça o cerco das autoridades federais contra o avanço de crimes ambientais na no Vale do Juruá.
dos varadouros de Rio Branco
A Polícia Federal deflagrou na manhã de quarta-feira, 21, a Operação Mata Arrendada II, com foco no combate ao desmatamento ilegal e à invasão de terras públicas em um assentamento do Insttuto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizado na zona rural de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá.
As investigações, realizadas com apoio do Ibama, apontaram a destruição de mais de 379 hectares de florestas públicas sem qualquer autorização dos órgãos ambientais. Segundo a apuração, as áreas teriam sido ilegalmente desmatadas para posterior arrendamento à criação de gado, atividade incompatível com a finalidade dos projetos de reforma agrária.
Além do grave dano ambiental, estimado em mais de dois milhões de reais, a Polícia Federal identificou indícios de grilagem de terras da União e de obtenção de vantagem econômica indevida por meio da exploração irregular dos lotes.
Diante do caráter lucrativo da prática criminosa, a PF representou à Justiça pelo sequestro de bens dos investigados no valor aproximado do prejuízo ambiental causado. Por determinação do Juízo de Garantias da Justiça Federal em Cruzeiro do Sul, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de sequestro de valores.
Os investigados poderão responder por crimes como destruição de florestas especialmente protegidas, desmatamento ilegal, impedimento da regeneração natural da vegetação e grilagem de terras públicas.
A operação reforça o cerco das autoridades federais contra crimes ambientais na região do Vale do Juruá e lança luz sobre denúncias semelhantes já registradas na na divisa entre o Acre e o Amazonas, em sua porção mais à oeste.
A expectativa é que o avanço das investigações alcance também o Projeto de Assentamento Extrativista Terra Firme, no município amazonense de Guajará, vizinho de Cruzeiro do Sul, onde há relatos recorrentes de invasões e desmatamento de áreas públicas.
As denúncias sobre a situação em Guajará foram expostas por Varadouro em agosto de 2025, que apontam um padrão semelhante de ocupação irregular, devastação ambiental e uso econômico ilícito de terras destinadas à reforma agrária. (Com informações Ascom PF/AC)



