Após seca extrema, Acre apresenta bom volume de chuva nos meses do verão

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Bom volume de chuvas nos meses críticos do verão evitaram a repetição da tragédia ambiental de 2024, quando a fumaça tóxicas das queimadas invadiu as cidades (Foto: Fabio Pontes/Varadouro)




Resfriamento das águas do Pacífico e aquecimento do Atlântico Norte tendem a manter chuvas acima do normal para o Acre até o final do ano. Sai o fenômeno El Niño e entra a La Niña. Um cenário bem oposto ao de 2024, quando o Sul da Amazônia foi impactado por seca, queimadas e poluição extrema. Sinal é de alerta para possível nova alagação.


dos varadouros de Rio Branco

Depois de enfrentar quase três anos consecutivos de uma seca extrema nos meses do nosso verão amazônico, o Acre e toda a região Sul da Amazônia apresentam um bom volume de chuvas durante a estiagem de 2025. As precipitações foram cruciais para se evitar a repetição da tragédia ambiental do ano passado, quando as cidades da região ficaram tomadas pela fumaça tóxica das queimadas. A concentração de material contaminado na atmosfera chegou a níveis alarmantes.

Ao contrário desta mesma época de 2024, hoje a população acreana pode respirar um ar puro, livre de material particulado, com temperaturas mais amenas. Durante os primeiros dias de outubro do ano passado, o céu ainda estava encoberto pela fumaça das queimadas e incêndios florestais – cenário bem diferente de outubro de 2025.

A seca extrema que atingiu o Sul da Amazônia nos últimos anos aconteceu por influência do fenômeno climático El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico na chamada zona equatorial – próximo às costas do Peru e do Equador. Agora, o fenômeno pode ser outro: a La Niña, que é o resfriamento do Pacífico.

Se o El Niño provoca secas severas nesta parte do continente, a La Niña traz consigo chuvas acima do normal. E é isso o que os cientistas observam desde agosto. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) previu o possível retorno do fenômeno La Niña a partir de setembro, o que pode influenciar os padrões climáticos. Espera-se que as temperaturas globais ainda permaneçam acima da média, apesar do resfriamento.

“O que temos não é novidade e estava previsto desde julho pelo consórcio IRI entre o NOOA’s Climate Program Office e a Columbia University. Temperaturas mais elevadas que o normal por todo o período e precipitação acima do normal para o trimestre (ago/set;out)”, afirma o pesquisador Evandro Ferreira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/Ufac).

“Em 2024 vivíamos uma seca severa e no mesmo trimestre (Ago-Out) a precipitação estava muito abaixo do normal. Já em 2025 a precipitação está se mantendo sempre acima do normal. Temperatura em ambos os anos foi e tem ficado acima do normal, sendo mais severa em 2024”, completa ele.

“As temperaturas da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial permanecem dentro da faixa de normalidade na região do Niño 3.4, e os modelos de previsão indicam a continuidade desse padrão ao longo do trimestre outubro, novembro e dezembro, com indicativo da influência de La Niña no próximo trimestre”, diz trecho de relatório elaborado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).




Se no Pacífico Equatorial a previsão é de resfriamento do oceano, as análises indicam o inverso no Atlântico Norte. O comportamento das temperaturas nos dois oceanos influenciam diretamente no volume de chuvas (ou a falta delas) nesta região da Amazônia.

“Diante de tais condições, o prognóstico climático para o trimestre outubro, novembro e dezembro de 2025 é de chuvas abaixo da média no Amapá e na faixa norte dos estados do Pará e Maranhão. Acima da média no Acre, sudoeste do Amazonas, oeste e sul de Rondônia e sudoeste do Mato Grosso.”

Apesar do bom alívio, o volume de chuvas acima do normal acende o alerta para a possibilidade de mais uma alagação atingir o Acre. Em março deste ano, Rio Branco voltou a ser atingida por uma grande enchente do rio Acre, após elas já terem acontecido com a mesma severidade em 2023 e 2024.

O fato é que, ano após, a região Sul da Amazônia é intensamente impactada pelos fenômenos climáticos extremos, que passam a ocorrer com mais intensidade e frequencia. – sejam as secas severas ou as grandes inundações.

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