Acre soma 86 mil hectares queimados e segue sob alerta, enquanto Amazonas enfrenta emergência

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Acre soma 86 mil hectares queimados e segue sob alerta, enquanto Amazonas enfrenta emergência

Mesmo com chuvas recentes, a situação ainda é de alerta no Acre com previsões de um trimestre até dezembro ainda quente e seco (Foto: Secom Acre)




dos varadouros de Rio Branco

O Acre acumulou 86.304 hectares de áreas queimadas até 5 de outubro de 2026, segundo levantamento do Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente (Labgama), da Ufac em Cruzeiro do Sul. Embora o monitoramento indique redução da área atingida pelo fogo, o laboratório alerta que as chuvas recentes ainda não afastam o risco de novos incêndios.

A previsão de temperaturas acima do normal e de chuvas abaixo da média para o trimestre até dezembro mantém o estado sob atenção, enquanto o Amazonas enfrenta uma crise que já colocou 36 municípios em situação de emergência.

Feijó concentra a maior parcela da área queimada no Acre: 21,5% do total mapeado. Na sequência aparecem Tarauacá, com 15,5%; Sena Madureira, com 10,7%; Rio Branco, com 10%; e Cruzeiro do Sul, com 6,7%. Juntos, os cinco municípios respondem por 64,4% da área atingida.

De acordo com o programa BD Queimadas, do Inpe, desde o começo do ano o Acre registrou 1956 focos de queimadas. Os dados mostram uma redução de 5,6% nos focos de calor registrados neste ano, em comparação com igual período de 2025.

A maior área contínua de queimada identificada pelo levantamento possui 261 hectares e está localizada em Acrelândia, em um imóvel rural certificado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O resumo não informa a causa do fogo nem atribui responsabilidade pelo episódio.

As áreas queimadas com menos de cinco hectares representam 36% do total mapeado, conforme o laboratório. O dado mostra que o monitoramento também reúne numerosas ocorrências de menor extensão, além das grandes áreas atingidas.

Na distribuição territorial apresentada pelo Labgama, 48% das áreas queimadas estão na categoria que reúne terras públicas e imóveis rurais. Outros 20% estão em projetos de assentamento, 19% em unidades de conservação, 10% em imóveis rurais certificados pelo Sistema Nacional de Certificação de Imóveis e 2% em terras indígenas.

Entre as unidades federais de conservação, a Reserva Extrativista (resex) Chico Mendes permanece no topo com mais registros de queimadas em 2026. Segundo o BD Queimadas, já são 163 focos – ou 73% do total. Em seguida aparecem a Resex Alto Juruá (28 F) e o Parque Nacional da Serra do Divisor (13 F).

Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, as previsões reunidas pelo Labgama indicam chuvas abaixo do normal na maior parte do Acre e da região Norte. Todos os modelos climáticos apresentados apontam temperaturas acima do normal em todo o território acreano.

Mesmo com a ocorrência de chuvas, os rios permanecem em níveis baixos. Segundo o Labgama, as temperaturas elevadas agravam as condições durante os intervalos sem precipitação, mantendo um ambiente favorável ao fogo. O laboratório alerta para a possibilidade de prolongamento da estiagem por outubro e novembro.

A redução da área queimada, acompanhada também pela queda no número de focos de calor registrados pelo Inpe exige, portanto, cautela. Os indicadores medem aspectos diferentes: a área queimada corresponde à extensão territorial atingida, enquanto os focos de calor são detecções por satélite e não equivalem, individualmente, a um incêndio.


Situação ainda de alerta


No Amazonas, a dimensão da crise aparece tanto no avanço das chamas quanto na interrupção da rotina da população. A fumaça levou à suspensão de aulas em escolas e universidades de Manaus e ao cancelamento de atividades ao ar livre. O reconhecimento federal da emergência em 36 dos 62 municípios ocorreu em 10 de outubro.

A emergência mobilizou uma equipe técnica da Força Nacional do SUS, enviada ao Amazonas no domingo, 11. O trabalho busca avaliar as necessidades da rede de saúde e preservar a assistência à população, incluindo os povos indígenas. Segundo o Ministério da Saúde, a exposição à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.

No Acre, o alerta do Labgama é para a manutenção dos cuidados com o fogo. A chegada das primeiras chuvas e a redução das queimadas ainda convivem com rios baixos e uma previsão de calor persistente – condições que impedem tratar a temporada de incêndios como encerrada.







Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

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