Acre sedia o maior encontro de comunicação indígena de sua história

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Coletivo Tetepawacomunica se articula para enfrentaros desafios de cobertura dos veículos de comunicação a respeito de assuntos de interesses indígenas. (Foto: Divulgação)

Nos dias 24, 25 e 26 de outubro, a Terra Indígena Katukina Kaxinawá, localizada na Aldeia Morada Nova, em Feijó (AC), será palco do maior encontro de comunicação indígena já realizado no Acre.

A iniciativa é do Coletivo de Comunicação Indígena do Acre – TetepawaComunica e reunirá jovens comunicadores e comunicadoras de 10 povos indígenas em três dias de formação, articulação e planejamento estratégico.

O evento tem como foco o fortalecimento da mídia indígena acreana, promovendo trocas de saberes, oficinas e debates sobre temas centrais como juventude, território, direitos, cultura, saúde, educação e os impactos das mudanças climáticas nos territórios indígenas — em um momento decisivo, às vésperas da COP30, que será realizada no Brasil.

“No Acre, não temos acesso pleno aos meios de comunicação convencionais. Quem fala sobre nós, muitas vezes, não vive a nossa realidade. Estamos cansados de ver nossas histórias contadas de fora pra dentro, como se fôssemos apenas estatísticas ou problemas. Queremos virar essa chave — e estamos prontos para isso”, afirma Samuel Arara, coordenador do coletivo.

Rumo à primeira agência de notícias indígena do Acre

Durante o encontro, será discutida a criação da primeira agência de notícias indígena do Acre — um marco histórico para a comunicação no estado.

A proposta é consolidar um espaço permanente de produção, difusão e valorização das narrativas indígenas, protagonizado pelos próprios povos originários.

“Nosso objetivo é fundar uma agência feita por nós — com nossas vozes, nossas lentes, nossas línguas e nossos olhares. Temos potencial, estamos preparados, somos comunicadores formados. Ninguém melhor do que nós para contar nossas próprias histórias, com verdade e pertencimento”, reforça Samuel Arara.

A futura agência buscará contemplar todos os povos indígenas do Acre, garantindo visibilidade, respeito e reconhecimento a seus modos de vida, lutas e conquistas.

Além de dialogar com a mídia tradicional, o projeto pretende afirmar a autenticidade e a legitimidade da comunicação indígena, que vai muito além das denúncias: é cultura, ciência, beleza, ancestralidade e resistência.

Sobre o evento

O encontro é resultado de um projeto idealizado e executado pelo Coletivo TetepawaComunica, com financiamento do Fundo Brasil de Direitos Humanos e do Fundo Podaali (Prêmio Ciências Indígenas).

A programação reunirá jovens lideranças de 10 povos diferentes do Acre, em um espaço de construção coletiva, onde será traçado um plano de ação para o período de 2025 a 2030, voltado à ampliação e consolidação da mídia indígena em todos os territórios do estado.

“Este é um momento histórico para a juventude indígena do Acre. A comunicação é uma ferramenta de luta e proteção dos nossos territórios. Estamos nos organizando para fortalecer nossas redes e mostrar ao mundo que nossos povos também produzem conhecimento, cultura e informação. Não somos só denúncia — somos também futuro”, conclui Samuel Arara.

Sobre o Coletivo TetepawaComunica

O Coletivo de Comunicação Indígena do Acre – TetepawaComunica é uma organização 100% indígena, formada por jovens comunicadores de 18 etnias, sendo composta por homens, 34% de mulheres e pessoas LGBTQIA+.

Desde sua fundação, em 2019, o coletivo tem como missão fortalecer as vozes indígenas e defender os direitos humanos, territoriais e culturais.

Hoje, conecta cerca de 100 comunicadores em 34 Terras Indígenas, representando 18 povos do Acre e duas etnias do Sul do Amazonas.

Sua atuação parte diretamente dos territórios, registrando o cotidiano, os desafios e as conquistas das comunidades, sempre com base em cultura, ancestralidade e autonomia.

O TetepawaComunica está na linha de frente de lutas contra o Marco Temporal e atua em pautas como direitos LGBTQIA+ indígenas, educação superior indígena, justiça climática, políticas de gênero e preservação da memória cultural dos povos.

Além da produção de conteúdos audiovisuais, reportagens, podcasts e documentários, o coletivo também capacita jovens em jornalismo comunitário e mídias digitais, e desenvolve ações em rede com organizações como COIAB, APIB, UMIAB, CEIUFAC e OPIAC, fortalecendo o protagonismo das juventudes indígenas.

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