PRODES

Compartilhe

Desmatamento cai nos três estados da AMACRO e Amazônia registra menor índice da história

Amazonas, Acre e Rondônia acompanham a queda histórica do desmatamento na Amazônia, mas apresentam resultados diferentes. Apenas o Amazonas registrou redução superior à média regional, segundo dados do Prodes 2026

O desmatamento caiu nos três estados que compõem a região da AMACRO — Amazonas, Acre e Rondônia —, acompanhando a tendência de redução registrada em toda a Amazônia. Segundo estimativa do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgada nesta sexta-feira (16), o Amazonas apresentou queda de 46,4% na área desmatada, enquanto Rondônia registrou redução de 34,9% e o Acre, de 22,2%, em comparação com o período anterior.

Os dados, apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que a Amazônia registrou o menor índice de desmatamento de toda a série histórica de monitoramento, iniciada em 1988. A área desmatada no bioma amazônico foi estimada em 3.335 km² em 2026, consolidando uma redução acumulada de 71,2% nos últimos quatro anos.

Embora os três estados da AMACRO tenham registrado queda, apenas o Amazonas apresentou redução proporcional superior à média da Amazônia, de 41,8%. A estimativa do Prodes aponta queda de 46,4% na área desmatada, que passou de 979 km², em 2025, para 525 km² em 2026.

O estado alcançou o menor índice dos últimos dez anos apresentados no levantamento. Em comparação com 2021, quando o desmatamento chegou a 2.594 km², a redução acumulada é de aproximadamente 80%.

Apesar da queda, o Amazonas ainda responde por 15,7% da área total estimada de desmatamento na Amazônia em 2026, ficando atrás do Pará, com 1.130 km², e de Mato Grosso, com 849 km².

Em Rondônia, o desmatamento passou de 229 km², em 2025, para 149 km² em 2026, uma redução de 34,9%, equivalente a 80 km² de floresta. O resultado coloca o estado com a segunda maior redução proporcional entre os estados da AMACRO, embora abaixo da média registrada para a Amazônia.

No Acre, a área desmatada caiu de 324 km², em 2025, para 252 km² em 2026, uma redução de 22,2%, correspondente a 72 km².

Apesar da diminuição, o Acre apresentou a menor redução proporcional entre os três estados da AMACRO, ficando abaixo tanto do Amazonas quanto de Rondônia e da média registrada para a Amazônia.

O estado também registrou uma área desmatada superior à de Rondônia, mesmo possuindo território significativamente menor.

AMACRO concentra 926 km² de desmatamento em 2026

Somados, Amazonas, Acre e Rondônia registraram 926 km² de desmatamento em 2026, ante 1.532 km² no período anterior. Isso representa uma redução conjunta de aproximadamente 39,6%, inferior à média de 41,8% registrada para a Amazônia.

Os três estados responderam por aproximadamente 27,8% de toda a área desmatada no bioma amazônico no período analisado.

O Amazonas concentrou a maior parcela do desmatamento entre os estados da AMACRO, com 525 km², seguido pelo Acre, com 252 km², e Rondônia, com 149 km².

Coordenação das ações federais

A estratégia federal de prevenção e controle do desmatamento combina monitoramento por satélite, fiscalização, ordenamento territorial e fomento a atividades produtivas sustentáveis, com instrumentos normativos e econômicos voltados à conservação e ao uso sustentável da vegetação nativa. As ações estão organizadas pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Bioma Cerrado (PPCerrado), ambos restabelecidos em 2023, e são executadas por órgãos federais em cooperação com estados e municípios.

Fiscalização ambiental

Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou no país 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão.

Entre 2023 e 2026, o ICMBio lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, e mais de 5 mil termos de embargo, que somam mais de 5 mil km² de área embargada.

O projeto Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia (FortFisc), do Ibama, foi aprovado pelo Fundo Amazônia com R$ 825,7 milhões. O apoio se destina a fiscalização remota, sistemas, equipamentos, meios aéreos e gestão. Em setembro de 2025, o Ibama nomeou 460 novos servidores, 330 deles analistas ambientais.

Cooperação federativa e ordenamento territorial

Na Amazônia Legal, o programa União com Municípios articula capacidade local de monitoramento e gestão ambiental, regularização ambiental e fundiária e assistência técnica. O programa tem R$ 780 milhões em execução nos 80 municípios que aderiram desde 2023, dos quais 70 já receberam escritórios de governança. Foram mais de 2 mil itens financiados, entre veículos, barcos, drones e computadores, mais de 500 pessoas capacitadas e cerca de 4 mil agricultores familiares com pagamento por serviços ambientais.

O ordenamento territorial integra a prevenção do desmatamento, com medidas de proteção de territórios, combate à grilagem e destinação de florestas públicas. Desde janeiro de 2023, foram criadas no país 18 unidades de conservação federais e ampliadas outras 8, que somam cerca de 25 mil km². No mesmo período, foram homologadas no país 20 terras indígenas, com cerca de 32 mil km². Cerca de 150 mil km² de glebas públicas federais estão em processo de destinação. Em maio de 2026, foi aprovado o Plano Estratégico de Ações Integradas para a BR-319.

Incentivos à conservação e à produção sustentável

A estratégia econômica de combate ao desmatamento combina incentivos à conservação da vegetação nativa, financiamento de atividades sustentáveis e condicionantes ambientais para o acesso ao crédito rural.

No Plano Safra 2026/2027, foram incluídos incentivos ambientais nas operações de custeio. Produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e regular, em regularização ambiental com adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) ou sem passivo ambiental, têm redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros. A adoção de práticas agropecuárias sustentáveis garante redução adicional de 0,5 ponto percentual, até o limite de 1 ponto percentual.

O Bolsa Verde associa apoio financeiro à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais por famílias de baixa renda em áreas abrangidas pelo programa. Desde 2023, atende 86.635 famílias em 139 municípios, com R$ 420 milhões transferidos, e abrange 327 mil km² de floresta na Amazônia. O projeto Floresta+ Amazônia realiza pagamentos por serviços ambientais a agricultores familiares e outros beneficiários elegíveis que conservam vegetação nativa. O projeto tem mais de R$ 500 milhões aprovados para sua implementação, valor que inclui os pagamentos e outras atividades. Em 2026, o Decreto nº 13.018 regulamentou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais.

O Fundo Amazônia financia prevenção e controle do desmatamento, gestão territorial e atividades produtivas sustentáveis. Em outubro de 2026, somava 160 projetos aprovados e R$ 7,8 bilhões comprometidos, em valores corrigidos pelo IPCA, com projetos em 75% dos municípios da Amazônia Legal. Desde 2023, o fundo destinou mais de R$ 550 milhões aos corpos de bombeiros da Amazônia Legal, do Cerrado e do Pantanal, e o Arco da Restauração conta com R$ 450 milhões.

O BNDES, gestor do Fundo Amazônia, aprovou em coordenação com o MMA R$ 147,6 milhões para o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), anunciado nesta sexta-feira. O apoio é não reembolsável, com prazo de 60 meses, execução da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e execução técnica do INPE. O projeto vai usar inteligência artificial para integrar o Prodes e o Deter e produzir dados do Prodes ao longo do ano. O Deter passará a cobrir a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, e o mapeamento de áreas queimadas, hoje com resolução de 1 quilômetro fora do Cerrado, deverá passar a 30 metros em todos os biomas. O SIM-Biomas prevê ainda indicadores de risco de curto prazo para desmatamento e degradação.

O Fundo Clima teve orçamento reembolsável de R$ 14 bilhões em 2025 e conta com R$ 27 bilhões em 2026, com metas de destinar 25% dos recursos ao Norte e ao Nordeste e 20% à adaptação. O Eco Invest Brasil, iniciativa do Ministério da Fazenda com o MMA, mobilizou R$ 190 bilhões em diferentes estágios para a transformação ecológica, em áreas como bioeconomia, restauração florestal, turismo sustentável, infraestrutura, agropecuária sustentável e inovação tecnológica, com compromisso de desmatamento zero.


Com informações de assessoria.

Sobre o autor

Redação Varadouro

Varadouro é uma organização de jornalismo sediada em Rio Branco, no Acre. Após escrever em sua versão impressa um dos momentos mais críticos da história da Amazônia, entre as décadas de 1970 e 1980, Varadouro retorna com o mesmo espírito de coragem e determinação para produzir um Jornalismo em defesa da Amazônia e de seus povos - agora na era digital.

Ver todos os posts de Redação Varadouro
Logomarca

Deixe seu comentário

Últimas Publicações